Zrínyi Miklós (1620—1664)

por Pál Ferenc

Esta semana publicamos dois poemas de um poeta, político e chefe de exército húngaro do século XVII (traduzidos e comentados por Ernesto Rodrigues), que  de um lado, parecia conhecer a grande obra épica de Camões,  à qual faz uma alusão na sua epopeia Obsidio Szigetiana (O Assédio de Sziget, 1646) em que homenageia bisavô homónimo defendendo, em 1566, a fortaleza de Sziget [Szigetvár] contra o exército do sultão turco. Esta epopeia de 15 cantos de quadras dodecassilábicas mostra influência de Virgílio, Camões e Tasso. Por outro lado, sendo Zrínyi também político entre outras obras escreveu o libelo Remédio contra o Ópio Turco (Az török áfium ellen való orvosság, 1660), inaugurando a literatura político-militar. É muito curioso que na página final desta obra temos uma referência ao Brasil: „Ouvi que no Brasil há muito terreno vazio; venhamos a pedir uma capitania ao rei Espanhol, façamos uma colônia e tornemo-nos cidadãos.“    (“Ugy hallom Braziliában elég puszta ország vagyon; kérjünk spanyor királytul egy tartományt, csináljunk egy coloniát, legyünk polgárrá.”)

ÁTILA
Attila
Da ira de Deus eu era alento,
quando, em armas, galopei o
mundo; abri à espada cascatas de
sangue, e, qual um raio, pela terra
corri.

Eu sou dos húngaros primeiro rei,
eu os trouxe do continente
extremo! Eu, pra húngaro,
exemplo serei de como sabre dá
fama, império.

O TEMPO E FAMA
Az ido és hirnév
O tempo, alado, vai,
por nada espera,
jamais, e corre, forte
corrente;

também por nada regressa,
tudo por terra cai; nessas
coisas, é omnipotente;

seja rico, seja pobre, um
mesmo olhar descobre;
pra ele, não há resistente.

Um somente sobrevive
à força do tempo, livre,
e mantém pacificado;

não receia sua foice,
nem rápidas asas, pois
se funde nele,
repousado:

a tão esplendorosa fama,
que em glória se proclama,
fica eterno legado.
*
Não escrevo com pena,
nem com tinta preta,
porém, com o fio de meu
sabre, e com sangue no
alarve, eterna é minha
fama.
*
O céu azul me cubra, sem caixão à beira,
honrosa seja minha hora derradeira.
Quando lobo, mesmo corvo, tragar me
queira, tenha céu em cima, terra por
companheira.

 

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