Vinho – histórias e lendas contadas e degustadas à mesa (Parte I)

por Joaquim Pimpão
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O VINHO RIMA COM BACALHAU

SOBRE OS VINHOS E A GASTRONOMIA PORTUGUESA. ALGUMA POESIA E OUTRAS HISTÓRIAS.

Com o vinho e o bacalhau histórias, lendas e poesia, literatura e gastronomia, estou a correr o risco que isto ainda acabe tudo numa grande caldeirada, mas como “quem não arrisca não petisca” e uma caldeirada no final da minha apresentação não viria nada mal… Este extenso artigo é composto de 12 pontos que no LusoMagyar News serão publicados separadamente.

  1. Vinho – histórias e lendas contadas e degustadas à mesa
  2. O Vinho “radica-se” em Portugal. Os primórdios (e evolução) do vinho em Portugal
  3. A comercialização (exportação) do vinho portuguės
  4. O vinho e o pão…ou seja o vinho, a gastronomia e a cultura.
  5. Vinho, cultura, provérbios…frases com “graduação”
  6. Os Vinhos Portugueses. Principais regiões vínicolas de Portugal.
  7. Vinho e o Marketing. O sucesso de uma estratégia. O Mateus Rosé
  8. Finalmente o bacalhau…senão ainda fica tudo em “águas de bacalhau”
  9. Bacalhau e vinhos (tintos ou brancos)
  10. Um exemplo de prato de bacalhau. Bacalhau assado com batatas a murro
  11. O vinho e o fado… (com excerto do fado de Amália)
  12. O Vinho e a poesia…último(s) gole(s)

Nota Importante: Há várias partes do texto, que foi apresentado em 10 de abril de 2014 na ELTE, e que agora aqui se publica, em que falta referir a fonte consultada. Foi uma falha minha e as minhas desculpas, mas confesso que nunca pensei que um dia iria publicar este texto, base-alargada da minha apresentação no Ciclo de conferências Portugal: História, Artes e Gastronomia na Universidade ELTE de Budapeste.

Vinho – histórias e lendas contadas e degustadas à mesa

Uma lenda grega atribui a descoberta da videira a um pastor, “Estáfilo” que ao procurar uma cabra perdida, a encontrou a comer parras. Colheu os frutos da desconhecida planta que levou ao patrão, “Oinos”, que por sua vez desses frutos extraiu um sumo que, curiosamente, melhorou com o tempo. Não é pois de estranhar que em grego, videira seja “stafile” e o vinho, “oinos”.

Por sua vez, a mitologia romana atribui a Saturno a introdução das primeiras videiras no império. Diz-se que na Península Ibérica, a videira foi introduzida por Hércules.

Na Pérsia, a origem do vinho era também lendária: conta-se que um dia, quando o rei Jamshid assistia aos exercicios dos seus soldados, o seu olhar foi atraído por uma cena que se desenrolava próxima: uma grande ave tentava libertar-se de uma enorme serpente, que lentamente a sufocava. O rei deu imediatamente ordem a um arqueiro para que atirasse. Um disparo certeiro fez penetrar a flecha na cabeça da serpente, sem que a ave fosse atingida.

Esta, liberta, voou até aos pés do soberano, e aí deixou cair umas sementes, que este mandou semear. Delas nasceu uma viçosa planta que deu frutos em abundância e o rei bebia frequentemente desse sumo. Um dia, porém, o rei achou o sumo amargo e mandou pô-lo de parte. Alguns meses mais tarde, uma bela escrava, a favorita do monarca, estava com terriveis dores de cabeça há muitos dias e não queria viver mais em tal sofrimento. Assim, tendo descoberto o dito sumo posto de parte, bebeu, pensando que era veneno. Adormeceu profundamente (o que não conseguia há muitas noites) e acordou curada e feliz.

A boa nova chegou aos ouvidos do rei, que promoveu o dito sumo, o vinho, à categoria de bebida do povo, dando-lhe o nome de “Darou-é-Shah” (o Remédio do Rei). No caso da Pérsia, o significado da lenda tem duplo significado, se levarmos em conta o dificil destino do vinho, dos seus amantes e apreciadores, após a Conquista da Antiga Pérsia, no século VII, pelo Islamismo.

Apesar de que mais tarde voltarei à poesia, uma pausa para recordar o grande poeta (astrónomo e matemático) Omar Khayyam que escreveu nos “Rubaiyat”. “Bebe vinho, ele te devolverá a mocidade /a divina estação das rosas, da vida eterna /dos amigos sinceros.” ou ainda “Do meu túmulo virá um tal perfume de vinho /que embriagará os que por lá passarem /e uma tal serenidade vai pairar ali /que os amantes não quererão se afastar.”…que sabiamente concluiu “Se os amantes do vinho e do amor forem para o inferno deve estar vazío o Paraíso.”

Com a ajuda das lendas ou recorrendo sobretudo ao “paladar” e parafraseando o filósofo e escritor romano Cícero que disse “Os vinhos são como os homens, com o tempo, os maus azedam e os bons apuram”, é consensual considerar que o vinho teve um papel preponderante no desenvolvimento das civilizações modernas, e que o “fruto da videira e do trabalho do homem” não é ultrapassado por nenhum outro produto agrícola e que o “néctar dos deuses” é apreciado há já mais de 4 mil anos

 

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