Vinho e o Marketing. O sucesso de uma estratégia. Um caso ímpar. O Mateus Rosé (Parte VII)

por Joaquim Pimpão

Com quase 80 anos, o Mateus Rosé é um caso único de sucesso, vendido em cerca de 130 paises. Na verdade, o rosé mais conhecido do mundo vende 20 milhões de garrafas por ano e está sempre pronto para embarcar em novas aventuras.

O Mateus Rosé é daqueles vinhos que não precisa de muita apresentação. Há quem diga que o seu nome é mais conhecido do que o país que o produz. Este vinho tem levado o nome de Portugal aos quatro cantos do mundo e é opinião de muitos, que se alguma vez um português for à lua, provavelmente é este o vinho que vai levar para dentro do foguetão. Eu certamente levaria um bom vinho tinto…mas como não espero enfiar-me dentro de um foguetão.. ficamos com o Mateus Rosé.

O Mateus apresenta uma cor rosada, com a evidente aparência de gás. No nariz é um vinho simples, directo e franco. Frutos vermelhos, morango e groselhas e um ligeiro toque floral, nada mais. “Para quê complicar? Dizem os seus apreciadores”. Na boca mantém o caracter frutado, tem boa acidez e o toque de gás dá-lhe o caracter a que ao longo dos anos tem feito as delícias dos seus consumidores. É um vinho franco que não desilude e que pela sua versatilidade merece todo o nosso respeito.

A verdade é que em 1943, quando o Mateus se apresentou “diferente, atractivo e fresco, pronto a agradar a um público alargado”, já queria conquistar o mundo, apesar dos mercados tradicionais estarem quase fechados, por causa da guerra. Até a garrafa bojuda, inspirada no cantil dos soldados da I Guerra Mundial, mostrava a vontade de inovar e correr riscos. É verdade que era mais baixa que as outras, mas, por isso mesmo, acabava por ser colocada à frente das garrafas mais altas dos outros vinhos…

O primeiro mercado foi o Brasil, onde o vinho chegou em 1944, para aproveitar o potencial do consumo de imigrantes portugueses. Com os anos a Inglaterra tornou-se o principal mercado de exportação. O Mateus Rosé contou por.ex. com o apoio de Elton John e de outras personalidades para a sua promoção “na montra do mundo” e até os ardinas tinham caixas de madeira vazias de Mateus Rosé para se sentarem no West End. Os Estados Unidos foram sempre um grande mercado para o Mateus Rosé e gostaria de destacar que, neste espírito forte de inovação e marketing, nos anos 60, Jimmy Hendrix também ajudou a promover o Mateus Rosé no mercado norte-americano.

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