Unicum e Licor Beirão – Vai uma degustação?

por LMn

Com os seus artigos e notícias, um dos objetivos (não) declarados do LMn e, na relação “multisetorial” entre a Hungria e Portugal, importa de quando em quando, aflorar e discorrer sobre o menos provável, mesmo divagar e desafiar aquilo que se julga ser mesmo improvável.

Com este breve introito e ensaio reflexivo dispensam-se outras elucidações sobre o título do artigo… juntar à volta de uma mesa grande, degustadores “aventureiros e ousados” de ambos os países, e servir-lhes Unicum Zwack da Hungria e Licor Beirão de Portugal.

Com base numa auscultação prévia feita entre amigos e potenciais convidados, apurámos que todos eles, sem exceção, aceitariam participar na “prova-mista”. E olhem que a habituação do palato, quer ao Unicum, quer ao Licor Beirão, não é propriamente a coisa mais comum no mundo fascinante dos licores amargos…

Afinal porquê a ideia de “acasalar” os dois licores, os dois digestivos? (O Unicum também sai muito bem como aperitivo). Por serem ambos amargos (ou mesmo muito amargos)? Por ser, como se diz na Hungria, uma bebida medicinal com efeitos curativos?

O Licor Beirão querer seguir pelo caminho do seu “primo húngaro” mais velho famoso?  Pelas dezenas de ervas, especiarias e plantas aromáticas que servem de base à bebida?

Caros leitores, nada como degustar, tentar responder às questões, multiplicando-as por muitas outras.

Unicum

O Unicum Zwack, com pelo menos 40% (V/V ± 0,3% V/V %), é um licor bem amargo, feito originalmente de acordo com um receituário secreto, a partir de mais de 40 ervas e envelhecido em barricas de carvalho. Como o próprio nome indica é produzido pela empresa da família Zwack desde 1883. Com as vicissitudes da história da Hungria e da Europa do século XX, a família Zwack durante os mais de 40 de regime comunista esteve exilada nos Estados Unidos (o Unicum continuou a ser produzido, mas sem o conhecimento exato do famoso segredo familiar). Em 1989, com a queda do regime, os Zwack, liderados por Péter Zwack, regressaram à Hungria e retomaram a produção do Unicum segundo o preceituário original.

De onde deriva a expressão, qual a origem da palavra Unicum?  

Segundo a lenda, em 1790, a bebida foi preparada e apresentada por um ancestral da família Zwack, médico em Viena na corte do Imperador Habsburgo José II, que ao degustar a bebida feita de ervas, exclamou “Das ist ein Unicum!”(Isto é realmente único!)

E o Licor Beirão?

Este licor português, com uma graduação de 22% (V/V ± 0,3% V/V), como o próprio nome indica, é proveniente das Beiras e começou a ser produzido no século XIX, na vila da Lousã. Produzido com base em 13 diferentes plantas, entre as quais a menta, a canela, o alecrim e a alfazema, e sementes aromáticas, que são submetidas a um processo de dupla destilação.

De acordo com a tradição, um caixeiro-viajante do Porto, de passagem pela vila da Lousã para vender vinho do Porto, apaixonou-se pela filha do farmacêutico local, casou-se com ela e ali se estabeleceu. Curiosamente, a farmácia do sogro vendia, além dos remédios habituais, licores preparados com ingredientes naturais, segundo receitas ancestrais e secretas. Anos depois, com a entrada em vigor, da lei que proibia a atribuição de efeitos medicinais a bebidas alcoólicas, o nosso jovem caixeiro decidiu montar uma fábrica em separado, onde veio a desenvolver os processos artesanais do sogro. E foi o que se viu, o que se vê… aliás o que se saboreia!

Entre licores portugueses, podiamos ainda razoar (e beber) sobre a famosa Ginginha, a Amêndoa-amarga… mas por ora fiquemo-nos pelo Licor Beirão, que degustaremos com o Unicum!

Egészségére! Saúde!

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