Tomar, uma cidade entre as Águas e um Castelo.

por Rui Ferreira

Um rio. Um simples e modesto rio do interior de Portugal que, depois de quilómetros a deambular por entre vales calcários, se abre num pequeno vale abrigado dos ventos de Norte.

Assim é a paisagem de Tomar, com ocupação desde o Neolítico, do qual sabemos de inúmeras “moradas humanas” nas margens de um curso de água calmo e fértil.

Porque uma lezíria é, afinal, um vale permanentemente húmido e facilmente irrigável, não foi estranho que os povos da Idade do Ferro, Romanos e seguidamente, árabes e moçárabes, aqui tivessem vivido e deixado marcas importantes, tanto na paisagem como na toponímia.

No alvor da construção do Reino de Portugal, as Ordens Militares foram fator preponderante na ocupação e gestão do território, dando assim corpo à “Cruzada Ibérica”, apelidada simplesmente de Reconquista e tendo como inspiração o território romano peninsular, outrora unido por vias e preceitos de uma civilização que unia a Europa.

O século XII marca assim a “redescoberta” deste vale pelos Cruzados cristãos, ligados à Ordem do Templo. Duzentos anos mais tarde, em documentos oficiais, manifesta-se a tradição de que Tomar teria sido descoberta porque alguém que se tinha entusiasmado a perseguir um porco montês (javali). Assim, cavalgando atrás do bicho, terá alcançado as margens de um rio tão aprazível e belo que se achou por bem ali fazer povoação. Neste caso uma povoação fortificada, um castelo.

Mais dizia a tradição que o local tinha sido ocupado “por antigos” dos quais ainda havia construções à vista. Naturalmente que algum do material de construção do desejado castelo terá sido aproveitado desses edifícios.

Na verdade, à Ordem do Templo é doado o Termo de Ceras, em 1159. Esta região é genericamente delimitada a nascente pelo Rio Zêzere e a poente pelos pequenos afluentes do Rio de Tomar. Daí que tenha sido natural a escolha do local para a construção (ou reconstrução, na opinião de muitos) de um Castelo Templário, com uma zona habitacional civil – a Almedina.

Neste castelo, com a sua construção iniciada a 1 de março de 1160, foi erigida uma das primeiras, senão a primeira, Torre de Menagem da península. A sua cintura de muralha é também dotada de um sistema defensivo inovador na península – o Alambor, uma espécie de colina empedrada que, suportando a muralha, afasta os invasores da sua base e torna muito difícil a escalada.

A cidade de Tomar atravessou assim a história com uma estreita ligação à Ordem do Templo e, após a sua extinção no século XIV, à Ordem de Cristo, sua sucessora em Portugal.

Desde o mito do Ouro Templário, às mais cativantes histórias e mistérios que a literatura soube manter, Tomar é local incontornável de visita. O seu património, encabeçado pelo Convento de Cristo (que inclui o castelo templário) e está classificado como património da Humanidade, conta com inúmeros edifícios históricos, dos quais se destaca uma Sinagoga do século XV, encaixada num centro histórico que ainda mantém o traçado urbano que o Príncipe Infante D. Henrique, o Navegador, desejou.

O rio … chamado Nabão, continua a marcar a vida da cidade.

Créditos da imagem de destaque: Rui Ferreira

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