Templo

por João Miguel Henriques

João Miguel Henriques, não é “apenas” o Diretor do Camões em Budapeste, o responsável pela promoção da cultura e língua portuguesa na Hungria, é “também” colaborador do LMn desde a hora antes da primeira e é Poeta. O poema “Templo” que aqui vos apresentamos foi selecionado de seu livro mais recente, “Panónia”.

Templo

acredito hoje na superioridade
das tuas civilizações

nas ilhas impenetráveis
na voz sândalo que ainda ecoa
do fundo tranquilo do templo

e também o tiro do arco
as aves que cantam
nos altifalantes
todo o silêncio
ou toda a água alvoroçada

o bago dourado
toda a distância ocupada

aceito portanto a tua clausura
as fronteiras estão fechadas
e na ausência do teu enlace
retiro-me reverente
apesar do passaporte

por fim já o sol não nasce sempre
e ela volta sorrateira para os meus braços

já não sou eu quem peregrina até ao templo
mas sim o templo que regressa a mim

Do livro  “Panónia” (Março de 2021)

 

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