Sobre um novo livro

por Pál Ferenc

Evoca a atividade de um eminente intelectual húngaro da primeira metade do século passado o livro recém publicado e intitulado Eszmék és Tények (‘Ideias e Fatos’, editado pelas Barankovics István Alapítvány, Bölcsészettudományi Kutatóközpont e Gondolat Kiadó, 2020). A figura, cujo perfil o traça, através de vários estudos esta antologia de ensaios e estudos, organizado pelo académico e estudioso Frenyó Zoltán, é Mihelics Vid que desenvolvia a sua atividade intelectual sob a égide da democracia cristã. Agora só queremos destacar que que ele foi um dos pensadores e jornalistas húngaros que visitou Portugal nos anos 1930. Como já sabemos da monografia de Pál Zsombor Szabolcs, intitulada Portugália magyarországi megítélése a két világháború között (’A avaliação húngara de Portugal no período de entre as duas Guerras Mundiais’, Göncöl Kiadó, 2018), que as escassas relações entre os dois países recobraram forças nos anos 1930, pois a governação húngara estava interessada em conhecer a política do Estado Novo português. Vários intelectuais visitavam Portugal, como redescobrindo-o, e entre eles um foi Mihelics Vid que além de observar com curiosidade e interesse o que passava em Portugal, porque „havia concordâncias surpreendentes na idade, passado histórico, sociedade e psiquismo dos dois povos” também exprimia as suas críticas vendo os lados fracos do introduzido sistema português. No seu livro Az új Portugália (’O novo Portugal’, Franklin-társulat, 1941), por exemplo, afirma que Salazar no campo da economia não tinha medidas novas, pretendendo apenas intensificá-la, senão aplicava soluções clássicas, diminuindo as dimensões do Estado e aumentando a sua eficácia, pois o estado atua melhor se não se apodera de uma maior parcela da economia e procede em meios-termos. Em outro lugar, falando com entusiasmo, das organizações corporativistas faz ao mesmo tempo notar que a realização das mesmas foi bastante problemática,  pois estas organizações não se construíam de baixo para cima, senão artificialmente, sendo o governo a controlar as mesmas e compilava os seus regulamentos. No estudo do autor da acima referida monografia, „Mihelics Vid és Salazar portugál állama a két világháború között“ (‘Mihelics Vid e o Estado português de Salazar entre as duas Guerras Mundiais’), incluído neste livro se  apresenta e analisa uma parcela importante de Mihelics Vid nos anos 1930: os pareceres do pensador acerca do sistema autoritário de Oliveira Salazar e as obras que versam sobre esta problemática. No anexo do livro, os interessados podem encontrar vários documentos, entre eles uma carta de Salazar dirigida a Mihelics Vid, uma carta do chefe do gabinete de Salazar, informando sobre a altura de quando o primeiro ministro recebe o estudioso e fotos de vários livros portugueses dedicados ao pensador húngaro.

Minibiografia de Pál Zsombor Szabolcs: Estudou história e filologia portuguesa na FL da Universidade Eötvös Loránd Tudományegyetem, onde se doutorou sobre um tema das relações entre Portugal e Hungria no período da entreguerra. Atualmente trabalha como investigador na Antall József Tudásközpont, como especialista dos temas portugueses, espanhóis e latino-americanos.

 

 

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