Novo evento editorial: saiu a quarta parte do romance Papírváros de Tibor Zalán

por Pál Ferenc

Acaba de sair a quarta parte do romance de grande fôlego de Tibor Zalán (1954), poeta e prosador húngaro, intitulado Papírváros (’Cidade de papel’). Nesta como nas partes anteriores  da obra, seguem-se paralelamente vários enredos nos quais o autor desenha destinos humanos sem saída ou evanescentes nas décadas turbulentas do século XX, a partir dos anos da primeira Grande Guerra. Os personagens, como o arquiteto, um dos protagonistas desta quarta parte, vivem situações extremas, angustiantes e a  “realidade” que os circula é substituída por percepções e alucinações oníricas, cuja  descrição é meticulosamente elaborada, semelhantemente a um ensaio dos fenômenos fisiológicos dum corpo em decomposição. Os outros dois “enredos” principais são o de um diretor de teatro e ‘Bandika’, um malandro  suburbano.

Zalán Tibor, sendo um dos representantes da poesia experimental na Hungria, foi selecionado para o volume Novíssima Poesia Húngara (Bico da Obra, 1985), organizada e traduzida por Ernesto Rodrigues. Ele traduziu também poesia de língua portuguesa, assim várias traduções dele aparecem na grande antologia da poesia de Fernando Pessoa publicada em 2018 (Bensőmben sokan élnek/Vivem em mim inúmeros; edição de KMTG).

A seguir publicamos uma das suas traduções de Pessoa, acompanhada pelo original.

PORTUGÁL TENGER

Ó, sós tenger, a tengernyi sódban
Portugália könnye ott van!
Hogy átszeljünk, hány anya könnyezett,
Hány fiú hiába ottveszett!
Hány menyasszony maradt özvegy, jegyben
Hogy a miénk legyél, ó tenger!

S a fáradság? A fáradság érte
Az izzó léleknek megérte.
Ki túl akar jutni a Bojadoron,
Túl kell jutnia fájdalmakon.
Isten a tengert veszélynek adta,
De fölötte ég, s ég alatta!

[dátum nélkül]

Zalán Tibor fordítása

MAR PORTUGUÊS

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

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