Relatório das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas prevê Potencial Catástrofe para a Hungria

por LMn | MTI

O relatório do Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (IPCC) das Nações Unidas não é um anúncio do fim do mundo, mas é outro aviso simples de que as graves consequências das alterações climáticas nos esperam no nosso caminho atual. O relatório deixa bem claro, com provas científicas, que os seres humanos estão a provocar o aquecimento do planeta de forma não natural. Na Hungria, os registos de calor já estão a ser sentidos, e tanto as culturas como as infra-estruturas estão em perigo.

O relatório do IPCC, redigido e aceite por 234 cientistas e 195 governos, é composto por três partes. A primeira, que foi publicada no sábado, mostra como impactos humanos contínuos e não naturais para o ambiente, incluindo o uso extensivo de combustíveis fósseis e emissões de carbono, poderiam levar a níveis de calor com consequências devastadoras, bem como a uma contínua subida do nível do mar.

1.5 Cº de Limiar de Aquecimento a ser ultrapassado

Se as emissões não mudarem, cada modelo do relatório mostra que o clima médio do planeta irá certamente aumentar 1,5 graus Celsius até 2050. Segundo a climatologista da Universidade Central Europeia e vice-presidente do terceiro grupo de trabalho do IPCC, Diána Ürge-Vorsatz, espera-se que a Europa Central fique abaixo da média no ambiente do futuro.

Na Hungria, tem havido muitos avisos sobre o aquecimento do planeta. Foram emitidos múltiplos alertas de calor, e o aumento das temperaturas médias tem sido consistente. Com base no relatório do IPCC, estes registos só irão piorar.

De acordo com o mapa interativo do IPCC, espera-se que a Europa Central seja 1,5 vezes mais drasticamente afetada do que a média mundial. Ürge-Vorsatz sublinhou que as mudanças “radicais” têm de entrar imediatamente em vigor para dar a volta às coisas, caso contrário o mundo corre o risco de ultrapassar o limiar de 1,5 graus dentro de duas décadas.

Não há tempo para esperar e negociar se quisermos evitar ultrapassar o problema, e não podemos sentar-nos e especular que, no futuro, a tecnologia nos ajudará a ultrapassar isto”.

Inundações e incêndios florestais a acontecer regularmente na Hungria

No que respeita especificamente à Hungria, o climatologista explicou que os alertas de calor e as condições meteorológicas extremas se tornarão mais frequentes e mais intensos, apesar de não se verificar um aumento da quantidade de precipitação que chega à Hungria.

Ürge-Vorsatz acrescentou que as inundações na Bélgica e Alemanha, bem como os incêndios florestais vistos no sul da Europa, podem ser esperados num futuro próximo como parte da vida diária na Hungria. O aumento do risco de incêndio não é apenas preocupante para a vida humana e a economia, mas também para o acesso às culturas.

A climatologista também acredita que o plano da União Europeia Apto para 55, que reduziria as emissões de carbono em 55 por cento até 2030, deveria visar um objetivo ainda mais elevado. Ürge-Vorsatz acredita que existe uma necessidade de emissões ainda mais baixas por parte dos Estados da UE, uma vez que o mundo precisa de estar livre de emissões até 2050, a fim de manter o objetivo dos Acordos Climáticos de Paris de permanecer abaixo dos 1,5-2 graus de aquecimento global.

A UE precisa de ter em conta que as nações em desenvolvimento não têm as mesmas oportunidades de reduzir as suas emissões da forma que as nações desenvolvidas podem, concluiu. Com pouco acesso a água limpa e a alternativas energéticas sustentáveis, Ürge-Vorsatz enfatizou que estas nações necessitam de mais margem de manobra no caminho para emissões zero.

 

Ilustração fotográfica em destaque por Zsolt Czeglédi/MTI

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