Região do Barroso em destaque no “The New York Times”

por LMn

A região do Barroso, formada pelos concelhos de Montalegre e Boticas, no distrito de Vila Real, mereceu destaque na edição de segunda-feira do norte-americano “The New York Times”, que dedicou um trabalho aos encantos de Trás-os-Montes.

“Clima severo”, “terreno acidentado”, “tradições agrícolas permanentes” e “beleza estonteante”. É esta a primeira descrição que o jornal norte-americano faz daquela que considera ser “uma das zonas mais isoladas” de Portugal, numa peça originalmente intitulada “Snapshots of Daily Life in a Remote Region of Portugal” (Momentos do dia-a-dia numa região remota de Portugal, em tradução livre).

Seguem-se mais elogios, desta vez dirigidos aos habitantes da região, “por vezes desdenhosamente (e erroneamente) retratados como simples e sem sofisticação”. “A verdade é que o seu profundo apego às suas terras e tradições faz de Trás-os-Montes uma das regiões do país mais únicas culturalmente”, pode ler-se na reportagem, assinada pelo fotógrafo brasileiro André Vieira, que em 2017 quis descobrir a terra onde a família tem raízes.

“O isolamento tornou as tradições daqui particularmente ricas e diversificadas. Os antigos rituais católicos combinaram-se com os vestígios culturais de muitos outros povos que, ao longo de vários séculos, encontraram o seu caminho para a região: visigodos, celtas, romanos, os soldados do exército de Napoleão”, escreve o “The New York Times” (NYT), destacando o “complexo sistema de cultivo” que os moradores do Barroso desenvolveram ao longo dos tempos, “para sobreviverem à implacável geografia” da região – um método baseado na gestão coletiva da água, das florestas e das pastagens usadas pelos animais, que ajuda “a manter o solo fértil, os rios e as nascentes limpos e a paisagem sem mácula”.

Região de Barroso é declarada património agrícola mundial pela FAO | Diário  de Trás-os-Montes

“É um sistema baseado na autossuficiência, onde os habitantes comem o que cultivam, assam o seu próprio pão (muitas vezes no antigo forno comunitário da sua aldeia), pisam as uvas das suas vinhas para fazer vinho e matam porcos para fazer salsichas e presunto – fumados em cima da lareira da cozinha”, que valeu ao Barroso a declaração de património agrícola mundial pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, em 2018.

A viagem de descoberta começou na calma aldeia de Vilarinho Seco, num dos pontos mais altos do concelho de Boticas e do Barroso, “considerada um dos exemplares mais bem preservados da arquitetura tradicional do Barroso, com casas de pedra rústica, muitas vezes com abrigos para animais no rés-do-chão, celeiros de granito junto a eles, e fontes de água públicas alinhadas nas ruas a cada poucas centenas de metros”. A cerca de 15 minutos de carro, o NYT chegou à localidade de Covas do Barroso, “rodeada por florestas de pinheiros e carvalhos” onde passa “um riacho intocado” e onde “cada casa tem um pomar cheio de videiras e diospireiros”. E também onde, na casa da família Coelho, a matança de três porcos servirá para ajudar a alimentar quem entrar pela porta durante o ano.

Fonte: JN

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