‘Prelúdio ao rei Lear’ de Ferenc Molnár em estreia esta sexta-feira em Almada

por LMn

Uma “comédia sobre o teatro” em que o autor do texto “gera e manobra, de forma muito hábil, um jogo de bonecas russas”, é como o diretor da Companhia de Teatro de Almada (CTA) define a nova criação.

Trata-se de ‘Prelúdio ao rei Lear’, do autor húngaro Ferenc Molnár (1878-1952), que, pela primeira vez, é posto em cena em Portugal e que se estreia na sexta-feira, na Sala Principal do Teatro Municipal Joaquim Benite, em Almada, numa encenação de Rodrigo Francisco, acrescentou o diretor da CTA que também assina a encenação.

Uma “declaração de amor ao teatro” e “uma estreia absoluta em Portugal”, pois é a “primeira vez que este texto extremamente divertido de Molnár é posto em palco em Portugal”, frisou.

Protagonizada por Rui Mendes, ator com 53 anos de carreira que a CTA homenageou na edição deste ano do Festival de Teatro, a peça tem como ponto de partida a tragédia “Rei Lear”, escrita por William Shakespeare entre 1605 e 1606.

ação da peça passa-se a poucas horas de uma representação de ‘Rei Lear’ quando o protagonista da peça que está em palco (Bánati) entra desesperado no palco, por estar a ser perseguido por um marido que o apanhou em flagrante delito com a mulher. Brandão foi o nome que a CTA deu a Bánáti e é interpretado por Rui Mendes.

Já o marido traído (interpretado por João Farraia) é professor universitário de literatura e um especialista em Shakespeare.

Brandão confronta-se, então, com o dilema de matar ou não o homem que lhe roubou a honra, mas que ao mesmo tempo admira.

“Um espetáculo muito divertido, que brinca com o teatro por dentro e que diverte atores que tanto interpretam personagens como espectadores”, frisou Rodrigo Francisco a propósito deste trabalho que decorrerá no palco da sala Principal do Teatro Municipal Joaquim Benite, onde está também montada a plateia para os espectadores.

‘Prelúdio ao rei Lear’ explora “o filão do teatro, um tema que não é novo e que já fora explorado por Shakespeare, em ´Hamlet` com ´A ratoeira`”, frisou.

O facto de Ferenc Molnár ser um “autor pouco conhecido e pouco divulgado em Portugal” esteve na base da escolha do texto, indicou, acrescentando que o Teatro da Cornucópia foi o único, em Portugal, a encenar um texto de Molnár.

Correspondente na Grande Guerra, Ferenc Molnár nasceu em Budapeste, em 1878, e morreu em Nova Iorque, em 1952, onde se refugiara após a subida ao poder do nacional-socialismo alemão, para escapar à perseguição dos nazis aos judeus húngaros.

interpretar ‘Prelúdio ao rei Lear’ estão também André Albuquerque, André Gomes, Erica Rodrigues, Ivo Marçal, João Gadelha, João Tempera e Pedro Walter, que ora fazem de atores ora de espectadores, acabando por remeter o público para a personagem Tom, do filme “A rosa púrpura do Cairo” (1985), realizado por Wody Allen.

A peça tem figurinos de Ana Paula Rocha e cenografia de Jean-Guy Lecat, autor da exposição intitulada “Um espaço para representar a vida”, a inaugurar no mesmo dia da estreia. Patente na galeria de exposições do Teatro Joaquim Benite, pode ser vista até 30 de dezembro.

Jean-Guy Lecat trabalha em teatro desde 1965. Diretor de cena, maquinista, aderecista, construtor de cenários, cenógrafo, iluminador, engenheiro de som, entre outros, foram algumas das funções desempenhadas no teatro pelo consultor de criadores como Samuel Beckett, Jean-Louis Barrault, ou Peter Brook e que colabora com a CTA, desde 2004, para a qual já assinou 17 cenografias.

‘Prelúdio ao rei Lear’ está em cena até 6 de dezembro, tem récitas de terça a sexta-feira, às 21:00, e, a partir de dia 23, caso sejam não haja prolongamento do recolher obrigatório ao fim de semana, pode ser vista de terça a sábado, às 21:00, e, aos domingos, às 16:00.

LUSA

 

 

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