Porcelana Vista Alegre: um ícone de Portugal

por Dina Cardoso

A Vista Alegre foi fundada em Ílhavo, na primeira unidade industrial dedicada à produção da porcelana em Portugal. O fundador, José Ferreira Pinto Basto, escolheu a região pelas matérias-primas fundamentais à produção de porcelana. Em 1816 comprou uma capela denominada Vista Alegre e os terrenos envolventes. Em 1824, apresentou uma petição ao Rei D. João VI para «erigir para estabelecimento de todos os seus filhos, com igual interesse, uma grande fábrica de louça, porcelana, vidraria e processos chímicos na sua quinta chamada da Vista-Alegre da Ermida». O Rei autorizou e 5 anos depois a Vista Alegre recebeu o título de Real Fábrica.

A fábrica de porcelana da marca portuguesa VA VISTA ALEGRE® foi fundada em 1824, em Ílhavo, centro de Portugal, nascido do sonho de um visionário cavalheiro português.

Os primeiros períodos de laboração iniciaram-se com a produção do vidro e cerâmica “pó de pedra”, face ao desconhecimento da composição da pasta de porcelana. A produção de vidro foi de grande qualidade, destacando-se as peças com relevos e ornatos lapidados e gravados, bem como os delicados trabalhos de incrustação de medalhões. Em 1880 a Vista Alegre cessou a produção de vidro, tendo-se dedicado exclusivamente ao fabrico de porcelana.

No sentido de ultrapassar as dificuldades no que diz respeito à produção da porcelana, Augusto Ferreira Pinto Basto, filho do fundador, realizou uma visita técnica à fábrica francesa de Sèvres. Aí estudou a composição da pasta e obteve esclarecimentos que se revelaram fundamentais para a descoberta em 1832 de abundantes jazigos de caulino a norte de Ílhavo.

Com a produção regular de porcelana entre 1832 e 1840 verificaram-se importantes melhorias na qualidade das pastas e vidrados, tendo a produção beneficiado igualmente de significativos progressos tecnológicos. Também a aposta, durante as primeiras décadas de laboração, na contratação de mestres estrangeiros com experiência na produção cerâmica foi determinante para a formação de uma mão-de-obra local altamente especializada na produção de porcelana.

Em 1924, com a nomeação de João Theodoro Ferreira Pinto Basto como Administrador-Delegado, iniciou-se um período de ressurgimento. Para além do crescimento e renovação na área industrial, também a nível criativo se verificou uma forte revitalização. Estilos modernistas como a Art Deco ou o Funcionalismo revelaram a capacidade de adaptação da empresa às mudanças sociais e estéticas do início de século.

Este trajeto de sucesso irá consolidar-se nas décadas seguintes do século XX. Profundas reestruturações industriais permitiram à empresa rentabilizar a produção, tornando mais eficaz a sua capacidade de resposta face ao aumento do consumo e globalização dos mercados.

Entre 1947 e 1968, o aumento das exportações, o reapetrechamento das instalações fabris, a atenção dada à formação de quadros técnicos especializados e cooperação com congéneres europeias, encorajaram um forte desenvolvimento técnico e industrial, possibilitando o alargamento da oferta a novos mercados.

A fábrica da Vista Alegre, em Ílhavo, acolheu em 1951 um novo diretor artístico, o húngaro Andor Hubay-Cebrián, que a partir daí fez a sua vida em Portugal, mais tarde em Cascais, onde criou com a mulher norueguesa os dois filhos.

O húngaro fugido do comunismo que foi diretor artístico da Vista Alegre

Em 1964 foi inaugurado o Museu da Vista Alegre, expondo ao público peças representativas do longo e rico caminho percorrido.

Em 1985 foi inaugurado o Centro de Arte e Desenvolvimento da Empresa (CADE), com o objetivo de fomentar a criação de novos modelos e decorações, bem como promover formação nas áreas da pintura e escultura.

Em 1985 foi também criado o Clube do Colecionadores, na altura limitado a 2.500 sócios, que reflete a importância da Vista Alegre no mercado da arte.

Em 1997 concretiza-se a fusão com o grupo cerâmico Cerexport, que originou quase a duplicação do volume de negócios da Vista Alegre, nomeadamente nos mercados internacionais.

Em Maio de 2001 dá-se a fusão do Grupo Vista Alegre com o grupo Atlantis, formando o maior grupo nacional de tableware e sexto maior do mundo nesse setor, o Grupo Vista Alegre (GVAA), cruzando-se novamente o vidro, e agora também o cristal, com a história da empresa.

Em 2009, o GVAA passou a integrar o portefólio de marcas do Grupo Visabeira, após a oferta pública lançada com sucesso sobre as ações representativas do capital social da empresa.

Mais do que um espaço fabril, a Vista Alegre é hoje um conjunto arquitetónico de inegável interesse, repositório de memórias sociais e artísticas fundamentais para a construção de uma identidade nacional.

Mais de 175 anos depois, ao longo de uma rota que produziu uma vasta carteira de produtos estreitamente associada à história e à vida cultural da Europa, realiza-se uma fusão entre o grupo Vista Alegre e o grupo Atlantis, formando o maior grupo nacional de artigos de mesa e de brindes, e um dos maiores da indústria a nível mundial – o Grupo Vista Alegre Atlantis.

Atualmente, as peças de marca – sempre na vanguarda da inovação e do design – são apresentadas nas mesas das personalidades mais proeminentes, bem como de várias embaixadas e outras instituições e organizações estatais ou individuais, estando também representadas em vários museus internacionais.

Combinando de forma harmoniosa tradição e modernidade, a marca VA VISTA ALEGRE® continua a investir em parcerias com designers e artistas internacionais, jovens ou já estabelecidos, contribuindo assim para a melhoria contínua da arte da porcelana e do cristal.

 

O convite a alguns dos principais designers realiza-se regularmente. Os artistas que ajudaram a definir o carácter único da VA VISTA ALEGRE® incluem Joana Vasconcelos, Eduardo Nery, Pedro Calapez, Carsten Gollnick, Sam Baron, Karim Rashid, Nadir Afonso, Armanda Passos, Roberto Chichorro, Christian Ghion, Teresa Lima e João Vaz de Carvalho, entre muitos outros.

Estes são alguns dos responsáveis pelas peças que continuarão a definir o percurso da marca VA VISTA ALEGRE®, um motivo permanente de orgulho para a empresa e um poderoso instrumento de afirmação global.

Fonte:

https://vistaalegre.com/pt/

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