Poesia húngara do século XVIII – Faludi Ferenc e Kazinczy Ferenc

por Pál Ferenc
Na primeira entrega desta semana publicamos dois poetas do século XVIII. O primeiro, Faludi Ferenc (1704-1779) é um poeta e tradutor literário, membro da Ordem dos Jesuítas, que após a dissolução da ordem começou escrever poesia. Uma frase dele chegou até o presente, como aforismo “Fortuna szekerén okosan ülj” ou seja “Fiques bem sentado na carroça da Fortuna”. O segundo, Kazinczy Ferenc (1759-1831) ,escritor e poeta que funda a primeira revista literária, Magyar Museum (1788-1793). O seu papel é muito importante na renovação da língua e do estilo literário húngaro, mantendo correspondência com os seus coevos.

Faludi Ferenc
1704-1779

A FORTUNA INCONSTANTE
Forgandó szerencse

Senta-te bem no carro da fortuna;
o eixo vire, não te importuna:
se andou lindamente,
se te deixou contente,
não, não enfunes:
senta-te bem no carro da fortuna.
Seu bom humor e rodas vão a par,
rolam várias: hoje, tesouro dar,
amanhã, logro,
e feliz, de novo;
tens de aceitar:
seu bom humor e rodas vão a par.
Méritos não vê, cega, insolente,
quem ouro nos põe, já burel somente.
Sabe quem vive sorte
no campo e na corte,
terratenentes:
méritos não vê, cega, insolente.
Ora querida mãe, ora madrasta;
e, seja no que for, a ninguém basta:
honra-te, mortifica,
exalta, sacrifica,
traz dó nefasta:
ora querida mãe, ora madrasta!

Kazinczy Ferenc
1759-1831

A NOSSA LÍNGUA
A mi nyelvunk

Graça divina da formosa Hélade, grandeza romana,
elegância francesa e força alemã e ardor das Hespérides,
e brandura polaca, minha bela língua para todas olha com inveja.
E vós não lhe invejais nada? Língua de Homero,
e de Virgílio, outra encontrareis, nas fronteiras da Europa,
que tão fielmente, ao soar, ecoe vossa lira sagrada?
Ela troa e não ruge; corre, se necessário, como homem corre atrás
de um objectivo
sem parar na carreira: mas fugindo, cabriolando, deslizando.
Seu peito arde; ar de profunda tristeza em seus lábios suspira,
e como tu, italiano e polaco, seu amor gemer faz, com ardor –
As cadeias tombam, o tempo vem e, entre vós, nós estaremos.

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