Poesia da Lusofonia – Murilo Mendes (Brasil)

por Fernando Lopes

Estudo Nº 6

Tua cabeça é uma dália gigante que se esfolha nos meus braços.
Nas tuas unhas se escondem algas vermelhas,
E da árvore de tuas pestanas
Nascem luzes atraídas pelas abelhas.

Caminharei esta manhã para teus seios:
Virei ciumento do orvalho da madrugada,
Do tecelão que tece o fio para teu vestido.
Virei, tendo aplacado uma a uma as estrelas,
E, depois de rolarmos pela escadaria de tapetes submarinos,
Voltamos, deixando madréporas e conchas,
Obedecendo aos sinais precursores da morte,
Para a grande pedra que as idades balançam à beira-nuvem

 

Murilo Monteiro Mendes (Juiz de Fora, 13 de maio de 1901 – Lisboa, 13 de agosto de 1975) poeta e prosador brasileiro, expoente do surrealismo no movimento modernista brasileiro.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Murilo_Mendes

 

Nota breve: A Poesia da Lusofonia vai estar ausente do LMn durante algumas (poucas) semanas. Quando regressar, virá pela mão do nosso amigo e especialista na matéria, João Miguel Henriques. Pela minha parte foi um imenso prazer ter estado aqui convosco. Fernando Lopes

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