Poemas de Kölcsey Ferenc (1790-1838)

por Pál Ferenc

Kölcsey Ferenc poeta e político , membro honorário da Academia de Ciências da Hungria, fundador da Sociedade Kisfaludy e autor do hino nacional.

Kölcsey é um poeta romântico. Os seus versos são caracterizados por grandes contrastes, discordâncias entre o passado glorioso e o presente sombrio,  fortes críticas à nobreza húngara  e preocupação patriótica pela nação. Suas obras tem imagens poéticas sugestivas e caracterizadas por uma variedade de vocabulário. Ele escreveu relativamente poucos poemas.

HUSZT
Huszt

Nas tristes ruínas do castelo de Huszt me detive;
em silêncio, sob nuvem, saiu a nocturna Lua.
Fez-se vento, qual vento de tumba; e, entre colunas
desfeitas do pórtico, espectro planando fez sinal.
E disse: Patriota! De que vale peito lânguido no cimo
destas ruínas? Devanear com sombras de tempos idos?
Ao futuro, longe, compara seriamente presente:
age, cria, aumenta; e a pátria clara virá!

Tradução de Ernesto Rodrigues

HINO DOS SÉCULOS SANGRENTOS DE POVO HÚNGARO

Himnusz a magyar nép zivataros századaiból

Deus, derrama sobre o húngaro
fartura e alegria.
Guarda-o com teu braço quando
luta com inimigos.
Ao que tanto tem sofrido,
traze um ano de bênçãos:
já este povo expiou bem
o passado e o porvir.

Nossos ancestrais trouxeste
Aos sagrados Cárpatos;
ao sangue de Bendeguz
bonita pátria deste.
Por onde em ondas rebentam
a Tisza e o Danúbio
os bravos filhos de Árpád
Vicejaram em flor.

Nas planícies da Kunság
nos dourastes e espigas,
das videiras de Tokai
o néctar nos pingaste.
No baluarte do turco
nosso pendão plantaste,
e o castelo de Viena
a Matias dobraste.

Nossos crimes acenderam
em ti o fogo da ira
e em nuvens tonitruantes
os teus raios vibraste.
Silvar sobre nós fizeste
as setas dos mongóis
e ao jugo dos otomanos
nossos ombros vergaste.

Sobre as ossadas dos nossos
exércitos vencidos,
quantos triunfos cantaram
os bárbaros de Osmã!
Quanta vez tua gente, oh pátria,
contra ti se insurgiu,
e por culpa de teus filhos
Foste dos filhos túmulo!

Em sua gruta o fugitivo
vê uma espada a caçá-lo,
olha em torno e em sua pátria
não encontra refúgio.
Sobe aos montes, desce aos vales,
na dúvida e na dor:
embaixo rios de sangue,
mar de chamas em cima.

Em sua gruta o fugitivo
vê uma espada a caçá-lo,
olha em torno e em sua pátria
não encontra refúgio.
Sobe aos montes, desce aos vales,
na dúvida e na dor:
embaixo rios de sangue,
mar de chamas em cima.

Deus, tem piedade do húngaro,
Joguete de desgraças:
guarda-o com teu braço forte,
em seu mar de tormentos.
Ao que tanto tem sofrido,
trazes um ano de bênçãos:
já este povo expiou bem
O passado e o porvir.

Tradução de Paulo Rónai e Geir Campos (1980)

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