Poemas de Csokonai Vitéz Mihály (1773 – 1805) – II

por Pál Ferenc

Nas nossas páginas de literatura, esta semana entregamos poemas de  Csokonai Vitéz Mihály (1773 – 1805) traduzidos por Ernesto Rodrigues, que foi um dos poetas mais significativos do Iluminismo na literatura húngara. Ele foi uma pessoa dotada de inteligência e talento poético sem par, assim chamavam no “poeta doctus” e “poeta natus”.

Fez estudos de direito por um curto período, a partir de 1796, publicou um jornal poético intitulado Diétai Magyar Múzsa, mas após alguns números este jornal acabou. Então foi a Komárom, onde conheceu Vajda Julianna  que nos poemas chama Lilla e com quem ele queria se casar, mas a família rica da menina não o permitiu. Nesta altura começa a sua a segunda época poética, com poemas como Os olhos do olhar e Esperança. Ele ficou deambulando algum tempo e depois trabalhava como mestre de escola na secundária de Csurgó.  Após alguns anos regressou a Debrecen e morreu, ainda novo,  de pneumonia.  Nos poemas escritos nestes últimos anos aparece com mais força o tono da poesia popular e um humor mais atrevido. Nesta altura nasceram os poemas como Pobre Susana no Acampamento Ao mesmo tempo, seu interesse filosófico também encontra a sua expressão, escrevendo ele A Imortalidade da Alma, rezando e a morte é a irmã do sonho e após a morte, o corpo como matéria retorna à natureza.

POBRE SUSANA, NO ACAMPAMENTO
Szegény Zsuzsi, a táborozáskor

À noite, a ordem veio,
com selo roxo no seio:
em noite de Primavera,
João chamaram à janela.

De mim, então, se alongou,
comigo, alegre, sonhou:
repousa na cama, brando,
em seus sonhos me abraçando,

quando, no triste clarim,
teve de montar rocim,
turco batalhando já;
ai, não sei se voltará!

Chorando, fui ao quartel,
entre jardins, até ele.
Triste canto soltou língua,
num tom de rola à míngua.

Seu elmo reguei em choro,
com fita preta decoro;
dez rosas dou ao corcel,
cem vezes mais beijos nele.

Também minh’ alma chorou,
quando de mim se alongou:
“Adeus!”, disse – meu pescoço
cobria de beijos grossos.
1802

DISCRETA SÚPLICA
Tartózkodó kérelem

Do poderoso amor
dói-me fogo consumido.
Podes ser na chaga bálsamo,
formosa breve tulipa.

Teu lindo brilho dos olhos,
fogo vivo da aurora;
de teus lábios o orvalho
mil cuidados me devora.

Dá em tua voz de anjo
o que teu amante roga:
com mil beijos de ambrosia
te pagarei a resposta.
1803

À ESPERANÇA
A reményhez

Meteoro com
terrestres que lança,
tem de Deus o tom
falsa cega Esperança!
Criou-se pra ela
homem infeliz,
e, anjo que vela,
saúda sem vis. –
Espelhas, boca lisa,
o quê? Ris, porquê?
Porque se tamisa
duvidoso qu’rer?
Sê sozinha aí!
Fui encorajado;
vozes lindas cri:
inda enganado.

Plantaste narcisos
plo meu jardim fora;
regato de guizos
regou minha flora;
mil flores verteste
em mim – Primavera -,
e sorte celeste
seu perfume era.
Cedo, pensamentos
iam, laboriosas
abelhas, no quente,
para as frescas rosas.
Na minha alegria,
algo me faltava:
de LILLA pedia
coração; céu dava.

Ai, perderam sede
rosas frescas; minhas
fontes, troncos verdes,
secaram, asinha;
Primavera cor,
triste Inverno cedo;
bom mundo anterior
fez-se arremedo.
Oh! Deixasses só
LILLA, só aqui:
meu canto de dó
não se queixaria.
Em seus braços bem
esquecia tristeza,
sem invejar quem
se fez realeza.

Deixa-me, Esperança!
Oh, entregue a mim;
que dura avança
minha morte assim.
Sinto dividida
força que em mim era –
quer alma sem vida
céu; meu corpo, terra.
O prado, vazio,
os campos, queimados,
o parque sem pio,
noite nos dois lados. –
Gentis doces trilos!
Quadros de mil têmperas!
Qu’rer! Esperança! Lillas! –
Adeus, para sempre!
1803

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