Petőfi Sándor (1823 – 1849) – Segunda Parte

por Pál Ferenc

Petőfi Sándor (1823 – 1849), um dos maiores poetas húngaros e um revolucionário que simbolizava o desejo húngaro de liberdade. Ele desempenhou um papel importante na vida literária do período anterior à eclosão da Revolução Húngara de 1848. Depois de 1847, juntamente com Mór Jókai, seu amigo e mais tarde o maior escritor romântico do país, editou a revista literária Életképek. Foi um partidário fervoroso da Revolução Francesa, ele criticava as condições sociais do seu país, atacando os privilégios dos nobres e da monarquia. Seus poemas brilhavam com paixão política, e um deles, Nemzeti dal (Canção Nacional) , conhecido vulgarmente como “Talpra magyar” (“Levánta-te, húngaro”) escrito na véspera da revolução, tornou-se um dos seus poemas mais populares. Durante a revolução, ele se tornou o ajudante-de-campo do general Jozef Bem. Petőfi desapareceu durante a Batalha de Segesvár, em 31 de julho de 1849, e presume-se que tenha morrido na luta, embora seu corpo nunca tenha sido descoberto.

A CANÇÃO DOS LOBOS
A farkasok dala

Sob o céu encoberto,
a tempestade uiva;
gémeas do inverno,
rasgam-se neve, chuva.

Um árido deserto
é, no qual nós vivemos:
nem um arbusto, onde
possamos proteger-nos.

Frio aqui na pele,
a fome lá por dentro,
ambos os caçadores
apertam, inclementes;

e além o terceiro,
espingarda carregada.
Na branca neve, gota
de rubro sangue cala.

Temos frio, e fome,
flanco varado; em
nós, a miséria toda. . .
Somos livres, porém!

Peste, Janeiro de 1847
Tradução de Ernesto Rodrigues

ERGUE-SE O MAR…
Feltámadott a tenger

Ergue-se o mar,
O mar dos povos,
Que aterroriza o mundo inteiro
Com vagas enormes, destemidas,
Com a sua força tremenda.

Vedes esta dança?
Ouvis esta música?
Se ainda o não sabeis
Podeis aprender agora
De que maneira o povo se diverte.

O mar estremece e ruge,
Os navios balançam
E afundam-se no inferno.
As velas rotas abatem-se
Sobre os mastros quebrados.

Delira mar,
Delira à tua vontade,
Mostra o abismo profundo
E lança para o céu
Uma nuvem de espuma.

Escreve com ela
o teu aviso eterno:
Embora a galera esteja por cima,
E por baixo a corrente do mar,
É o mar quem manda!

Tradução de Yvette K. Centeno

Print Friendly, PDF & Email

Também poderá gostar de

O nosso website utiliza cookies para melhorar a sua experiência de navegação. Aceitar Ler Mais

Privacidade