Petőfi Sándor (1823 – 1849) – Primeira Parte

por Pál Ferenc

Petőfi Sándor (1823 – 1849), um dos maiores poetas húngaros e um revolucionário que simbolizava o desejo húngaro de liberdade. Ele desempenhou um papel importante na vida literária do período anterior à eclosão da Revolução Húngara de 1848. Foi um dos maiores representantes Romantismo húngaro e introduziu temas até então desconhecidos na poesia húngara: na sua poesia apareceu pela primeira vez a poesia familiar, nos seus poemas fala do amor conjugal e na sua poesia paisagística encontramos o desenho  da Grande Planície húngara. Ele falava com clareza e simplicidade para todos, ao incorporar a linguagem do povo à literatura e centrar a ideia em vez da forma exterior dos poemas.

UMA NOITE EM CASA
Egy estém otthon

Bebi vinho com meu pai:
o meu bom velho bebeu
pra me agradar, desta vez –
seja abençoado por Deus!

Há muito não vinha a casa,
há muito já não me via,
e como envelheceu –
ai, depressa vai o dia.

Falámos disto, daquilo,
do que nos veio à cabeça;
e de teatro também,
entre mil coisas, sem pressa.

A seus olhos, meu “ofício”
é grande espinha cravada
inda, preconceito que
os anos não mudam nada.

“Vê só, isso da comédia,
que tão desprezível vida!”
Tais elogios puderam
assim escutar meus ouvidos.

“Sei, passaste muita fome,
tua cara bem no mostra.
Queria ver uma vez
como dás a cambalhota.”

Sua conversa de mestre,
sorrindo, calava em mim;
mas ele é teimoso – não
pude esclarecê-lo, enfim.

Em seguida, recitei-lhe
uma canção de borrachos;
e tanto, tanto gozei,
que se partia aos cachos.

Mas ele está-se nas tintas
que o filho seja poeta;
para si, coisas assim
é tudo uma grande treta.

E nem é para admirar:
sabe cortar animais;
nem é pela muita ciência
que o cabelo lhe cai.

Quando, então, esvaziámos
o nosso jarro de vinho,
eu comecei a escrever;
vertia-se ele de mansinho.

Mas logo com mil perguntas
se apresentou a mamã;
tenho de responder – bom,
fique a escrita onde está.

E suas perguntas não
tinham conta, nem medida:
mas como essas perguntas
me tornavam boa a vida. . .

Porque todas eram espelho
onde pude vê-la bem:
que no mundo tenho eu
a mais, mais querida mãe.

Dunavecse, Abril de 1844

A ETELKA
Etelkéhez

Viste, meu anjo, o Danúbio,
e uma ilha no centro?
Assim guardo tua imagem
no coração, aqui dentro.

A verde fronda da ilha
nas ondas mergulha; ah, se,
no meu coração, assim
verde esperança mergulhasse!

Buda, Dezembro de 1844

QUE AZUL O CÉU!
Mi kék az ég!

Que azul
o céu!
Que verde
a terra!
Sobre verde terra, sob céu azul, a
cotovia assobia, sonora:
seu canto traz o sol cá pra fora,
o sol olha-a, com gula.
Que azul
o céu!
Que verde
a terra!
A terra é verde, azul o céu, é primavera. . .
E eu que doido varrido sou
por, aqui no meu quarto estreito, ter de
limar versos.

Eperjes, Abril de 1845

VIBRA SILVADO, PORQUE
Reszket a bokor, mert. .
.
Vibra silvado, porque
uma avezinha poisou.
Vibra minha alma, porque
te recorda,
te recorda,
pequena, querido amor,
tu és de tão vasto mundo
o diamante maior.

O Danúbio subiu muito,
acaso transbordará.
Também no meu coração
a paixão se solta já.
Amas-me, botão de rosa?
Eu amo-te tanto, tanto,
que nem teu pai, mãe, podem
amar-te mais do que eu.

Quando vivemos os dois,
tu amaste-me, eu sei.
Era o calor do verão,
ora inverno, inverno frio.

Se já não me amas, pois,
Deus te proteja; mas se
amas ainda, então,
que mil vezes te abençoe!

Peste, depois de 20 de Novembro de 1846
Tradução de Ernesto Rodrigues

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