Pedro Tamen (Portugal)

por João Miguel Henriques

O mar é longe, mas somos nós o vento;
e a lembrança que tira, até ser ele,
é doutro e mesmo, é ar da tua boca
onde o silêncio pasce e a noite aceita.
Donde estás, que névoa me perturba
mais que não ver os olhos da manhã
com que tu mesma a vês e te convém?
Cabelos, dedos, sal e a longa pele,
onde se escondem a tua vida os dá;
e é com mãos solenes, fugitivas,
que te recolho viva e me concedo
a hora em que as ondas se confundem
e nada é necessário ao pé do mar.

Messze a tenger, s mi vagyunk a szél;
emlékké lettünk, olykor ha másé,
mégis a miénk: lélegzeted,
a csönd és az éjszaka gyönyöre.
Merre vagy, miféle köd takar el,
hogy nem láthatom a reggelt, amely
megpillant téged, amely a tiéd?
Hajszálak és só, ujjak s bőrdarabok
rejtőznek valamerre, önnön magad,
és ünnepi remeg? kezekkel
ajándékként gyűjtelek egybe,
miként a percet, melyben hullámok
vegyülnek a tenger nyugalmával

tradução de András Petőcz

 

Biografia

Nascido em 1934, Pedro Tamen é um dos poetas mais reconhecidos da sua geração. Jurista de formação, encontra na Faculdade de Direito Nuno Bragança, um dos nomes referenciais do romance moderno. Em 1954, funda «Anteu», cadernos de cultura, e em 1957 é chefe de redação de «Encontro», influente órgão da Juventude Universitária Católica (JUC), tendo sido um dos fundadores de um influente cineclube – o Centro Cultural de Cinema (CCC). O primeiro livro de poemas é desse período: «Poema para todos os dias» (1956). Com António Alçada Baptista e João Bénard da Costa participa no projeto da Livraria Morais, de grande significado cultural, que culminará na fundação da revista «O Tempo e o Modo» (1963). Além de ser autor do título da revista, funda e dirige a coleção «Círculo de Poesia», onde publica «O Sangue, a Água e o Vinho» (1958). Em 1960 dá à estampa «O Primeiro Livro de Lapinova». É subdiretor da revista de atualidades «Flama» (1961). Publica: «Poemas a Isto» (1963), «Daniel na Cova dos Leões» (1971), «Escrito de Memória» (1973), «Os Quarenta e Dois Sonetos» (1973). É diretor literário da Livraria Moraes (até 1975) e membro da primeira direção da Associação Portuguesa de Escritores, sendo eleito Administrador da Fundação Calouste Gulbenkian (exercendo funções de 1975 a 2000). Prossegue fecunda atividade de publicação: «Agora, Estar» (1975), «20 Anos da Coleção Círculo de Poesia. 20 Anos de Poesia Portuguesa» (1977), «Aparelho Circulatório» (1978), «Horácio e Curiácio» (1981) – Prémio D. Diniz (1982), «Princípio do Sol» (1982), «Antologia Provisória» (1983), «Allegria del Silenzio» (tradução italiana, 1985), «Delfos, opus 12» (1987). É eleito Presidente do Pen Club Português (1988-1991). Em 1991 sai a poesia reunida em «Tábua de Matérias» (Prémio da Crítica e Grande Prémio Inapa de Poesia). Publica «Caracóis», com Júlio Pomar (1994), «Depois de Ver», com Fernando Azevedo (1995), e «Guião de Caronte» – Prémio Nicola de Poesia (1997). Reformado da Fundação Gulbenkian, continua a publicar: «Memória Indescritível (Gótica) – Prémio Bordalo e Pen Clube -, realizando a tradução da integralidade de «Em Busca do Tempo Perdido», de Marcel Proust (2003-2005). Em 2001 publica «Retábulo de Matérias – Poesia 1956-2001» – onde está reunida toda a obra poética até esse momento. Assinalando os 50 anos da vida literária, é publicado «Analogia e Dedos» – Prémios Luís Miguel Nava e Inês de Castro (2006). Seguem-se «O Livro do Sapateiro» (2010) e «Um Teatro às Escuras» (2011). Obtém o prémio Correntes de Escritas do Casino da Póvoa de Varzim e o Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores por «O Livro do Sapateiro». Em 2013 dá à estampa «Rua de Nenhures». Em Pedro Tamen encontramos um poeta com grande maturidade artística, com excecional domínio da língua e uma vocação temática universalista, sendo hoje um símbolo vivo da grande qualidade da poesia contemporânea. Faleceu no dia 29 de Julho deste ano de 2021.

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