Os Vinhos Portugueses. Principais regiões vínicolas de Portugal (Parte VI).

por Joaquim Pimpão

Vale mais tarde que nunca! Finalmente chegámos aos vinhos… Primeira afirmação, os vinhos portugueses teem uma particularidade única, a vastíssima quantidade de castas nativas – cerca de 285 – o que permite produzir e apresentar uma grande diversidade de vinhos com personalidades muito distintas. O guia “The Oxford Companion to Wine” considera Portugal como um verdadeiro “tesouro de castas locais”.

Com efeito a qualidade e carácter específico dos seus vinhos, fazem de Portugal uma referência entre os principais países produtores, com um lugar destacado entre os 10 principais produtores do mercado mundial. Considerado um produtor tradicional do “velho mundo”, 8% dos terrenos agrícolas de Portugal continental é dedicado à cultura da vinha.

Algumas das principais regiões vínicolas de Portugal:

Minho. O Vinho Verde

O Minho é a maior região vitícola portuguesa e situa-se no noroeste de Portugal, limitada a norte pelo Rio Minho e a oeste pelo Oceano Atlântico. Aí produzem-se vinhos de acidez e frescura características, das denominações de origem Vinho Verde e Vinho Regional Minho. De referir que no verão, o vinho verde é uma excelente alternativa à cerveja, sobretudo para quem está preocupado com o tamanho da barriga…

Douro. O Vinho do Porto

Por motivos óbvios gostaria de falar com mais detalhe sobre esta região e em especial sobre o Vinho do Porto

Com a rivalidade francesa e británica e as restrições ao comércio bilateral, incluindo a proibição de importar vinhos de França, os ingleses viram-se na necessidade de procurar novas fontes de abastecimento, e foi com naturalidade que Portugal apareceu como alternativa, particularmente o Porto e o norte de Portugal, região onde já vivia uma significativa colónia britânica.

Devido às distâncias e para o proteger durante a longa viagem por mar – longe da costa francesa -, o vinho era  “fortificado” com a adição antes do embarque de uma pequena quantidade de aguardente vínica, a qual aumentava a sua força alcoólica e o impedia de se estragar. Foi assim, que os comerciantes e consumidores ingleses se aperceberam, que a qualidade do vinho “desembarcava” melhor, do que na  hora do “embarque”. Naturalmente a técnica da adição de uma pequena porção de aguardente para manter o vinho em bom estado durante o transporte não deve ser confundida com o processo de adição de aguardente vínica ao vinho durante a fermentação que é, actualmente, um aspecto essencial da produção do vinho do Porto. O método de fortificação só foi adoptado muito mais tarde.

Processo de fermentação-fortificação do Vinho do Porto. Breve explicacão.

Principais momentos: no processo de  transformar a uva em vinho, quando cerca de metade do açúcar natural do sumo da uva já foi transformado em álcool pela fermentação, o enólogo dá ordem para o início do processo de fortificação. É então adicionado uma aguardente vínica muito limpa e jovem. Esta bebida espirituosa neutra, incolor, com um teor alcoólico de 77%, é geralmente adicionada na proporção de 115 litros de aguardente por cada 435 litros de vinho em fermentação. Assim o processo de  fermentação pára antes que todo o açúcar no sumo tenha sido transformado em álcool e, desta forma, alguma da doçura natural da uva é preservada no vinho do Porto.

O Douro localiza-se no Nordeste de Portugal. A maioria das plantações é feita em socalcos, talhados nas encostas dos vales ao longo do rio Douro e seus afluentes. Os solos são essencialmente de xisto embora, em algumas zonas, sejam também graníticos.

 Alentejo. Vinho do Alentejo. (A cortiça)

O Alentejo é uma das maiores regiões vinícolas de Portugal, com cerca de 22 mil hectares, correspondendo a 10% do total da vinha de Portugal. Região quente e seca do sul, é dominada por extensas planícies de solos pobres. As muitas horas de sol e as temperaturas muito elevadas no verão permitem a perfeita maturação das uvas. Nos anos 80 do século passado, o Alentejo foi palco de uma vasta modernização da produção vitivinícola, com grandes investimentos e novos produtores, resultando na demarcação oficial da região em 1988 e no crescente reconhecimento, nacional e internacional, dos vinhos alentejanos.

Falar do vinho, “estar no Alentejo” e não falar da cortiça, da rolha de cortiça, é impossivel.  Portugal, com uma área de 730 mil hectares de montado de sobro, é responsável por mais de 50% da produção mundial de cortiça. Como muitos outros, eu também estou convencido de que a cortiça é a opção perfeita para fechar uma garrafa de vinho. A cortiça é uma nobre e fiável dádiva da natureza. Não é por acaso que os melhores vinhos do mundo sempre usaram e continuam a usar a rolha de cortiça. De sublinhar que cada sobreiro demora 25 anos até poder ser descortiçado pela primeira vez e só a partir do terceiro descortiçamento (aos 43 anos) a cortiça, tem a qualidade exigida para a produção de rolhas.

Madeira. Vinho da Madeira

Já antes fiz uma referência ao Vinho da Madeira. A Ilha da Madeira situada no Oceano Atlântico, a oeste da costa africana, ficou famosa pelo Vinho da Madeira, vinho generoso muito aromático mencionado mesmo por Shakespeare e que chegou a ser usado como perfume nas cortes europeias.

O arquipélago é de origem vulcânica e clima subtropical de temperaturas amenas, com baixas amplitudes térmicas e humidade atmosférica elevada. Embora não pareça ser o clima ideal para a vinicultura, a adaptação de castas mediterrânicas e a posição estratégica no Atlântico contribuíram para criar aqui um dos mais famosos vinhos do mundo. A produção de vinho na Madeira remonta à época do descobrimento da ilha, em 1419. As primeiras castas como a Malvasia chegaram à ilha por ordem do Infante D. Henrique, importadas de Cândia, capital de Creta.

E já agora que aqui estamos, não esquecer que foi com o Vinho Madeira que foi feito o brinde da celebração da Independėncia dos Estados Unidos. George Washington e Thomas Jefferson eram grandes apreciadores do “Madeira”, tal como mais tarde Wintson Churchil, que visitou a Madeira várias vezes…ali pintava, escrevia, fumava os seus charutos e bebia, não apenas whisky, mas também muito Vinho Madeira…

Imagem de destaque: Unsplash

 

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