Orbán e Salvini lançam aliança de extrema-direita para competir com o PPE

por LMn

Hungria e Itália aliam-se para encontrarem uma via para o crescimento da extrema-direita. O Parlamento Europeu é a ‘zona de combate’ há muito identificada.

Desde as eleições para o Parlamento Europeu em 2019 que se esperava que a extrema-direita europeia investisse num veículo que lhe permitisse ir de encontro àquilo que a motivava e de que nunca fizeram segredo: destruir a União Europeia a partir do seu interior e da ‘benevolência’ das suas instituições democráticas. Um plano gizado fora da Europa – ou pelo menos tendo a mão (negra) norte-americana de Steve Bannon, antigo assessor de Donald Trump, por trás.

Agora, quase dois anos passados – e depois da criação e uma espécie de centro de estudos ligado à extrema-direita algures num lugar muito aprazível de Itália – a estratégia parece começar a chegar a vias de facto. Segundo a imprensa europeia, a extrema-direita está a reorganizar-se para competir com o Partido Popular Europeu (PPE), o partido conservador que dominou a cena comunitária por duas décadas. E que, apesar de ser acusado de manter ligações protocolares à extrema-direita, não é considerado o veículo para servir de motor aos interesses extremistas.

O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, que deixou o PPE em março devido a desentendimentos com a sua linha política – mas que não foram suficientes para inicialmente o aceitar – realizou um encontro em Budapeste esta quinta-feira para iniciar uma ofensiva contra seus ex-correligionários.

A reunião contou com a presença do primeiro-ministro polaco, Mateusz Morawiecki, representante do partido ultraconservador PiS, e do italiano Matteo Salvini, líder da Liga, o partido italiano ultranacionalista. O objetivo declarado da reunião é lançar uma plataforma política para oferecer uma opção extremista ao PPE.

Os três dirigentes reunidos em Budapeste apresentaram o projeto como o início de “uma ressurreição” – a data a isso convidava – dos valores conservadores que, segundo disseram, foram abandonados pelo PPE. “O PPE deixou de trabalhar connosco, e isso diz tudo só por si”, disse Orbán em conferência de imprensa. O primeiro-ministro húngaro garantiu que “os democratas-cristãos na Europa não têm representantes” – o que é capaz de ‘esbarrar’ nos números, que colocam o partido europeu na liderança do Parlamento Europeu há décadas.

A Liga, PiS e Fidesz, o partido de Orbán, podem ser o grupo iniciático – onde outros poderão ir parar, como será o caso mais óbvio da Bulgária, que tem eleições parlamentares marcadas para este fim-de-semana. A intenção do grupo é atrair partidos de todos os países europeus – na tentativa da formação de um grupo político que atue a favor dos nacionalismos e contra o federalismo europeu a partir do seu próprio centro nevrálgico.

“Hoje é o início de um processo que passará pela Europa para agregar novas formações ao nosso grupo”, disse Salvini – ex-vice-primeiro-ministro de Itália.

O eixo ultraconservador espera reunir novamente em maio em Roma ou Budapeste para promover a nova plataforma. O somatório das formações que agora se encontram dispersas no Parlamento Europeu poderia constituir um novo grupo que aspirara a ser o terceiro maior da câmara. Para Salvini, o objetivo da nova aliança é “que o povo europeu saia de um dos seus períodos mais sombrios e se foque na esperança, na família, no trabalho, nos direitos e nas liberdades”.

O partido de Orbán tem 13 eurodeputados no Parlamento e o partido de Salvini tem 27. Os PiS polaco responde por 25 lugares e domina o grupo parlamentar ECR (Conservadores e Reformistas), criado em conjunto com os conservadores britânicos na altura liderados por David Cameron e no qual milita o espanhol Vox. O grupo tem um total de 62 deputados, mas uma aliança com Orbán e Salvini poderia ser um forte impulsionador do seu crescimento.

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