OFF Biennále: uma exposição para descobrir este sábado

por João Miguel Henriques

É mesmo verdade que o tempo voa e assim sem querer termina já este sábado, dia 29 de Maio, mais uma edição da OFF Biennále de Budapeste, o mais interessante acontecimento de arte contemporânea a ter lugar na capital húngara. Criado por um pequeno grupo de profissionais ligados ao meio artístico, e procurando sobreviver sem apoios estatais, o evento tem ganho ao longo dos anos uma importante projeção internacional, com a missão de fortalecer a independência e vitalidade do sector artístico local e promover o debate sobre as mais prementes e controversas questões sociais, políticas e ambientais. Como se pode imaginar, isto não é pouco nos dias que correm, especialmente se tivermos em conta a independência e ambição da iniciativa.

O eclético programa da bienal consiste de diferentes projectos e estende-se por vários espaços da cidade, propondo também ao visitante essa produtiva deambulação por lugares onde normalmente não é convidado a entrar. Destacamos aqui o Fészek Művészklub de Budapeste (Kertész utca 36), espaço mágico no coração do bairro VII, dedicado desde a sua fundação às artes performativas e composto por todo um conjunto de diferentes salas e recantos, todos os eles com a sua personalidade e estilo próprios. Explorar os andares do Fészek Művészklub, com todos os seus detalhes decorativos, é como descobrir uma mansão antiga, misteriosa e imprevisível.

É esta a casa que acolhe um dos programas/projectos da edição deste ano da OFF Biennále, intitulado “Transperiphery Movement”. Constituída por material de texto e vídeo, a exposição convida-nos a conhecer distintas facetas das por vezes desconhecidas relações históricas entre a Europa Central e de Leste e os espaços colonizados ou recém-descolonizados do hemisfério sul. De acordo com os curadores, a ideia é dar a conhecer histórias que possam eventualmente compôr uma imagem de relações que normalmente só pensamos existirem entre países colonizadores como Portugal e os seus territórios de colonização. Deste modo, somos convidados a conhecer a história de emigrantes/colonos húngaros na América Latina em finais do século XIX e inícios do século XX, a presença de estudantes de países africanos em países do bloco soviético no âmbito da cooperação entre os países socialistas, ou então, no mesmo contexto, o curioso fenómeno das trabalhadoras cubanas que a dada altura, durante o socialismo, vieram para a Hungria suprir a falta de mão-de-obra que existia na indústria têxtil. E quem depois destas reflexões quiser subir mais um lanço de escada do bonito edifício poderá assistir ao vídeo Red Horizon, da autoria de Mónica de Miranda e criado especialmente para a OFF Biennále, obra na qual  a artista portuguesa de origem angolana reflecte sobre questões de identidade e memória pessoal.

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