Oceanos. 10,4 milhões de euros para projeto liderado por investigadora portuguesa

por LMn

É a primeira vez que um investigador português na área das Humanidades recebe uma bolsa ERC Synergy. O objetivo do projeto é estudar impacto da vida marinha nas sociedades humanas.

O Conselho Europeu de Investigação Europeu (ERC) atribuiu uma bolsa no valor de 10,4 milhões de euros a um projeto liderado por uma investigadora portuguesa da Universidade Nova de Lisboa (UNL). É a primeira vez que uma investigadora (ou investigador) portuguesa da área das Humanidades recebe uma bolsa ERC Synergy.

O projeto liderado por Cristina Brito, para desenvolver entre 2021 e 2027, pretende “conhecer o passado dos oceanos e o impacto da vida marinha nas sociedades humanas para compreender o presente e antecipar o futuro”, refere a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da UNL. No currículo, a investigadora junta duas áreas-chave no tema do projeto: uma licenciatura em Biologia e um doutoramento em História da Expansão Portuguesa.

O passado a investigar não será tão longínquo como a pré-história, mas vai recuar até dois milénios antes da revolução industrial, por volta de 1850. O projeto 4-OCEANS, tal como o nome deixa adivinhar, será desenvolvido sobre quatro oceanos — Ártico, Atlântico, Índico e Pacífico — com especial foco na relação com 10 grupos de animais, onde se incluem o bacalhau, o salmão, o atum, mas também os tubarões, baleias e morsas.

“Iremos produzir um Atlas da Exploração Histórica dos Recursos Marinhos, de acesso aberto, que será relevante para todos os temas académicos que se relacionam com o passado e o presente dos oceanos”, explicou a investigadora em comunicado de imprensa.

As ERC Synergy, por definição, são bolsas atribuídas a projetos internacionais e, neste caso, Cristina Brito vai coordená-lo com outros investigadores na área das Humanidades: Poul Holm e Francis Ludlow, do Trinity College de Dublin (Irlanda), e James Barrett, do Departamento de Arqueologia da Universidade de Cambridge (Reino Unido). Além disso, a equipa conta com mais de 30 investigadores (oito deles em Portugal, no Centro de Humanidades), de áreas muito distintas — daí o nome “sinergia” dado à bolsa —, como a arqueologia e zooarqueologia, biologia molecular, história ambiental marinha, ecologia histórica, história económica, social e da ciência, geografia e climatologia histórica, e ainda modelação e humanidades digitais.

“Claramente, os oceanos tiveram influência na história humana e, vice-versa, os humanos tiveram um impacto nos ecossistemas e populações marinhas. Mas como, onde, quando, de que forma e com que consequências para as sociedades? Estas são respostas que ainda não existem e que irão transformar o nosso entendimento do passado”, escrevem os autores no resumo do projeto.

projeto liderado por Portugal é um dos 34 selecionados em 440 candidaturas. Os projetos conseguiram um financiamento total de 350 milhões de euros por parte do ERC. Estas 34 candidaturas selecionadas vão envolver 116 investigadores principais (mais as respetivas equipas de trabalho), de 86 universidades e centros de investigação, localizados em 22 países da Europa e não só — haverá investigadores da Austrália, Canadá, Chile, Estados Unidos e Japão.

Outros projetos selecionados abordam temas tão diversos como cancro, patogénios, neutrinos, pré-história na Europa ou

Em 2018, o investigador Edgar Gomes, do Instituto de Medicina Molecular, em consórcio com dois investigadores do Reino Unido, também conseguiu um financiamento ERC Synergy no valor de 10 milhões de euros para estudar o desenvolvimento, estrutura e fisiologia do músculo. Foi a primeira vez que um investigador português, parte da equipa de coordenação do projeto, ganhou este tipo de financiamento.

N0 mesmo ano, houve outro investigador em Portugal, que fazia parte de uma equipa que ganhou uma ERC Synergy. Ricardo Schiappa, docente do Departamento de Matemática (DM) do Instituto Superior Técnico, fazia parte da equipa liderada por Marcos Mariño, que estava na altura na Universidade de Genebra (Suíça) e que era um dos quatro coordenadores do projeto ReNewQuantum que ganhou a bolsa.

Vera Novais|Observador.pt

 

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