Obras financiadas pela Hungria para mobilizar água em Cabo Verde arrancam este mês

por LMn | Lusa

O ministro dos Negócios Estrangeiros e Comércio húngaro afirmou hoje que os desembolsos da linha de 35 milhões de euros para financiar projetos para mobilização de água para agricultura em Cabo Verde já começaram, arrancando as obras este mês.

“A preparação está a decorrer. Estão a ser feitos os estudos, as possíveis localizações já foram visitadas. Ainda este mês a construção vai arrancar”, afirmou Péter Szijjártó, em entrevista à Lusa à margem de uma visita de algumas horas à Praia, para entregar um donativo de 100 mil doses da vacina contra a covid-19 da AstraZeneca às autoridades cabo-verdianas.

De acordo com o ministro dos Negócios Estrangeiros e Comércio da Hungria, em causa, globalmente, estão empreitadas em condutas adutoras, numa primeira fase, e depois na modernização das maiores estações de tratamento de água do arquipélago, “a partir das quais será gerada água para irrigação”, a usar na agricultura, num contexto de períodos de secas cíclicas que Cabo Verde tem vindo a enfrentar.

“O construtor húngaro já iniciou a instalação em Cabo Verde. As empresas húngaras selecionadas terão cinco anos para concluir os trabalhos”, explicou Szijjártó, acrescentando que os pagamentos através daquela linha de financiamento, aprovada em 2020, também “já estão em curso”.

O Governo da Hungria apontou em dezembro o objetivo de fomentar uma parceria estratégica com Cabo Verde, que arranca com esta linha de financiamento de 35 milhões de euros à empresa pública Água de Rega, para apoio à agricultura e mobilização de água.

Os governos dos dois países assinaram em dezembro um acordo permitindo o início dos desembolsos da linha de financiamento de 35 milhões de euros concedida pelo Eximbank Hungary, banco estatal húngaro que fomenta as exportações e importações daquele país, para o projeto de mobilização de água para a agricultura em Cabo Verde.

Este financiamento tem uma taxa de juro de 0% e Cabo Verde terá 18 anos para pagar o empréstimo, com um período de carência inicial de oito anos.

O projeto será implementado pela estatal Água de Rega e, de acordo com a resolução do Conselho de Ministros de Cabo Verde, de 21 de abril, o Governo autorizou a Direção-Geral do Tesouro a “conceder um aval/garantia”, junto do Eximbank Hungary, no valor de 35 milhões de euros, a favor daquela nova empresa pública, para a sua execução.

Envolve, lê-se no documento que a Lusa divulgou anteriormente, a “construção das infraestruturas e a aquisição de equipamentos”, como condutas de adução, estações elevatórias, reservatórios, condutas de distribuição e a instalação de 20 centrais de dessalinizadoras em “zonas próximas de parcelas agrícolas” já identificadas, além de formação e assistência técnica.

“Com isso pretende-se aumentar a disponibilidade da água para o setor da agricultura a um preço mais reduzido, de forma a tornar o setor mais competitivo e aumentando a sua cadeia de valor no processo produtivo em Cabo Verde”, referia ainda a resolução.

Cabo Verde enfrenta atualmente uma das secas mais severas da sua história, com várias ilhas praticamente sem precipitação há mais de três anos, provocando quebras na produção agrícola do arquipélago.

A médio e longo prazo, segundo o Governo, as intervenções nesta área “visarão a profissionalização da gestão da água, da proteção dos pontos de água e do armazenamento da água a nível individual ou comunitário”, acrescentando que “qualquer intervenção ligada aos solos, às encostas e aos habitats será precedida de um estudo técnico e de viabilidade económica e financeira” para “melhor orientar qualquer decisão política no setor”.

Ainda de acordo com Péter Szijjártó, a Hungria está disponível a disponibilizar a Cabo Verde uma tecnologia de retenção de água, que “diminui a evaporação de água dos solos”. “É uma tecnologia que já foi testada e eu combinei com o ministro da Agricultura [de Cabo Verde] que este projeto, que pretendemos lançar em breve, poderá ser fornecido”, acrescentou.

Em cima de mesa está ainda uma linha de financiamento de 25 milhões de euros da Hungria para, se for solicitado por Cabo Verde, a área da digitalização de cartões de identidade, bem como o interesse do grupo Hell, a maior empresa de bebidas energéticas da Hungria, no mercado cabo-verdiano, entre outras áreas de interesse da parceria, como em bolsas para formação de estudantes universitários ou de educadores de infância.

PVJ // LFS

Lusa

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