O Vinho “radica-se” em Portugal. Os primórdios (e evolução) do vinho em Portugal (Parte II)

por Joaquim Pimpão

Os vinhos portugueses são o resultado de uma sucessão de tradições introduzidas na Península Ibérica e em Portugal (na região que é hoje Portugal) pelas diversas civilizações que aí se sucederam, como a fenícia, cartaginesa, grega, e sobretudo, a romana.

Com efeito, apesar da história do vinho ter começado muitos séculos antes, foi com a romanização em Portugal que se deu o “grande salto vínicola”. São os romanos p. ex. que introduzem em Portugal a poda da videira e que criam os socalcos. Aliás, a exportação mais “antiga” dos vinhos portugueses iniciou-se para Roma, no contexto do que hoje chamariamos, “mercado interno” do Império Romano.

Durante o período no qual Portugal foi dominado pelos mouros, houve uma ligeira regressão da importancia do vinho, quer no que diz respeito ao consumo “interno”, quer na sua exportação, devido à proibição árabe do consumo de bebidas fermentadas. (Vinhos fermentado ou não fermentados é uma questão que agora não abordaria).

Depois, os séculos XII e XIII são em Portugal períodos de grande prosperidade vitivinícola, porque as ordens dos Templários, Santiago da Espada, Cister e Hospitalários povoaram e cultivaram a vinha que havia sido destruída no período das lutas da Reconquista Cristã. O vinho passou a fazer parte da dieta do homem medieval e o vinho português ganhou notoriedade pela Europa, chegando inclusivamente à Rússia. Esta notariedade reforçou-se durante os séculos XV-XVII e o vinho portugés prosperou pelo mundo, chegando a novos continentes e vendo reconhecido a sua excelente qualidade.

Neste período de tempo as “técnicas” da produção do vinho foram aperfeiçoadas, caso das técnicas de envelhecimento do vinho, e é nessa época passou a ser também bastante apreciado o chamado “vinho de roda”, que ia, submerso,  junto aos porões das caravelas, dos barcos. Na verdade, no século XVII, os comerciantes do Vinho Madeira aperceberam-se que quando enviavam o vinho no porão dos navios até à Índia e este não era vendido, quando regressava a Portugal, vinha melhorado. Era um vinho muito valorizado, por isso passaram a embarcar as pipas com o único propósito de fazer a viagem até a Índia e volta, para ser vendido por preços muito mais elevados. “Os lucros extras” da inovação e capacidade inventiva…

 

O VINHO RIMA COM BACALHAU

SOBRE OS VINHOS E A GASTRONOMIA PORTUGUESA. ALGUMA POESIA E OUTRAS HISTÓRIAS.

Com o vinho e o bacalhau histórias, lendas e poesia, literatura e gastronomia, estou a correr o risco que isto ainda acabe tudo numa grande caldeirada, mas como “quem não arrisca não petisca” e uma caldeirada no final da minha apresentação não viria nada mal… Este extenso artigo é composto de 12 pontos que no LusoMagyar News serão publicados separadamente.

    1. Vinho – histórias e lendas contadas e degustadas à mesa
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