O treinador húngaro rogou uma maldição centenária ao melhor clube do mundo

por LMn

Até hoje, os adeptos do Benfica provavelmente ainda olham para trás com tristeza, naquele dia 59 anos atrás, quando o seu dono era talvez um pouco mais sovina do que deveria ter sido, e o treinador húngaro lançou uma maldição sobre o melhor clube do futebol do qual a equipa nunca se recuperou. Desde a partida de Béla Guttmann em 1962, o clube de Lisboa não só falhou em todas as finais internacionais, como também o fez de uma forma particularmente pungente.

 Ele também não era mau como jogador

Nascido a 27 de janeiro de 1899 em Budapeste, começou como bailarino. Durante a sua carreira futebolística, jogou (e ganhou o campeonato) pelo MTK e Hakoah Wien, da Áustria, e depois, ficou numa digressão americana, jogando por clubes em Nova Iorque desde 1926 até à sua reforma em 1932.

Também jogou pela seleção húngara, e foi membro da equipa olímpica de 1924, para a qual não foi convidado após ter pendurado ratos na porta da sala dos treinadores com os seus companheiros de equipa para ilustrar a sua preparação menos que ideal devido a demasiados acompanhantes.

Tornou-se uma lenda como treinador

Mas o seu nome é mais conhecido pela sua carreira de treinador, como uma das autoridades mais respeitadas do seu tempo. A sua personalidade não era para todos, e ele próprio não gostava de ficar muito tempo no mesmo lugar, gerindo 25 equipas em 12 países.

 A terceira época foi fatídica

– disse uma vez sobre o treino.

Tornou-se campeão em casa com Újpest (ambos em 1939 e 1947), e até ganhou a Taça da Europa Central com o púrpura e branco na altura da sua primeira medalha de ouro.

Foi então treinador de Milão, onde foi forçado a abandonar o banco devido a desacordos internos dentro do clube, apesar de terem liderado a liga e acabado por ganhar a medalha de ouro, e escreveu em cada um dos seus contratos que o seu empregador não o podia despedir se a equipa terminasse no topo da liga.

Fui despedido, e não sou nem criminoso nem homossexual. Adeus

– disse ele na conferência de imprensa.

Ganhou um campeonato nacional enquanto dirigia o São Paulo do Brasil e introduziu a formação 4-2-4, de espírito ofensivo, que mais tarde viu a equipa nacional brasileira ascender ao trono mundial em 1958.

Os remates da Eusébio aterrorizavam os guarda-redes

 Foto por Central Press / Getty Images Hungria

 No topo do futebol mundial – duas vezes

Regressou então à Europa, onde se tornou imediatamente campeão com o Porto, e um ano mais tarde assinou contrato com o Benfica, onde os seus maiores sucessos vieram – embora tenha rapidamente substituído 20 jogadores da equipa sénior…

GANHOU DOIS TÍTULOS DO CAMPEONATO COM O BENFICA, ASSIM COMO DUAS TAÇAS DOS CAMPEÕES EUROPEUS!

O lendário Real Madrid de Ferenc Puskás ganhou as primeiras cinco edições do antecessor da Liga dos Campeões, mas na edição de 1960-1961, o rival Barcelona venceu os atuais campeões na primeira volta e foi até à final, onde Sándor Kocsis e Zoltán Czibor marcaram para os catalães, mas o Benfica venceu por 3-2.

A final contra o Barcelona

 Um ano depois, a equipa do Real estava novamente na final, e uma vez lá, Ferenc Puskás marcou três golos para a equipa de Guttmann, embora a equipa de Eusébio tenha caído de 0-2 e 2-3 para vencer por 5-3 – o então avançado português de 20 anos de idade marcou duas vezes na final.

A final contra o Real Madrid

O treinador não ficou tão surpreendido, claro, como dizem os rumores que ele encorajou os seus jogadores no intervalo, dizendo-lhes que os adversários estavam cansados e que ganhariam facilmente, chutando um cinco para os vencedores do recorde. E fizeram-no.

A última final do Benfica foi decidida numa disputa de pénaltis

Foto de Claudio Villa – UEFA / Getty Images Hungria

A maldição

A final teve lugar em Amesterdão a 2 de maio de 1962, e após uma segunda vitória da Taça dos Campeões, Guttmann sentiu que merecia um pequeno pagamento extra, mas o presidente do clube António Mundrunga recusou-se a dar ao treinador bem sucedido um aumento salarial (alegadamente 65 por cento), dizendo que não estava no seu contrato.

 Guttmann ficou tão irritado com o que pensava ser a reação do seu patrão avarento que amaldiçoou o clube antes de lhe bater com a porta em cima:

O Benfica não ganhará uma taça internacional durante os próximos 100 anos!

O treinador dirigiu-se ao Uruguai, onde treinou Peñarol, depois trabalhou na Áustria, regressou ao Benfica durante um ano, passou algum tempo na Suíça, Grécia e finalmente voltou a treinar no Porto, sendo o seu último período profissional em 1973-1974.

A maldição tem atingido até agora

Lisboa talvez nunca pensasse que eles próprios teriam de acreditar em tais superstições, e depois de vencerem Norrköping, Dukla Praha e Feyenoord voltaram à final, com o objectivo de Eusébio em Wembley, em Londres, dando-lhes uma vantagem contra Milão no intervalo. Mas a segunda parte foi dominada pelos seus adversários, com dois golos de José Altafini e Mazzola a colocarem os Vermelhos e os Negros de volta na frente.

 Dois anos mais tarde, o Benfica eliminou o Real Madrid nos quartos-de-final e o então Vasas ETO Győr nas meias-finais, mas o Inter, outra equipa de Milão, mostrou-se demasiado forte com o golo de Jair antes do intervalo.

Três anos mais tarde, Vasas e Juventus foram novamente eliminados na final do Taça dos Campeões Europeus pelo Manchester United, que foi eliminado pelo Real Madrid. Os Red Devils assumiram a liderança através do golo de Sir Bobby Charlton e, embora Jaime Graça tenha respondido, a equipa inglesa marcou três vezes em nove minutos na prorrogação para vencer por 4-1.

Na competição de elite, tiveram de esperar 20 anos por outra final depois disso, com o PSV a vencer o Benfica numa disputa de penaltis após um período sem golos, com apenas o pontapé de sexta volta António Veloso a cometer um erro.

DESDE ENTÃO, A EQUIPA SÓ CHEGOU À FINAL DA MAIS PRESTIGIADA COMPETIÇÃO EUROPEIA DA TAÇA UMA ÚNICA VEZ, EM 1990, ANTES DA FINAL CONTRA O,MILÃO, QUE TAMBÉM TINHA VISTO A DERROTA DO REAL E DO BAYERN, EUSÉBIO FOI AO TÚMULO DO TREINADOR, QUE MORREU EM 1981, PARA IMPLORAR QUE A MALDIÇÃO FOSSE QUEBRADA, MAS ISSO FOI EM VÃO, UMA VEZ QUE O OBJECTIVO DO FRANK RIJKAARD FEZ DOS VERMELHOS E NEGROS OS VENCEDORES.

Entretanto, houve mais um empate de duas mãos na final da Taça UEFA, perdendo para o Anderlecht – embora o Benfica tivesse uma breve vantagem no jogo de volta após uma derrota de 1-0 no primeiro jogo – e depois duas vitórias sucessivas na final da Liga Europa no início da década de 2010.

Primeiro, o Chelsea marcou no 93º minuto do tempo normal, depois o recordista Sevilla superou a Juventus numa disputa de pênaltis para eliminar os portugueses da sua final de casa em Turim.

ANTES DESTE ÚLTIMO, TANTO O TREINADOR PRINCIPAL JESUS COMO OS JOGADORES RIRAM-SE DA MALDIÇÃO, MAS DESDE ENTÃO O BENFICA NEM SEQUER CHEGOU A UMA FINAL…

 

Fonte: https://index.hu/

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