O Templo Mãe do Império Português

por João Amendoeira Peixoto

Portugal tal como a Hungria está repleta de história capaz de ditar o presente e a riqueza patrimonial de um povo. Entre as pedras que erguem vários séculos, estão construções que só por si e por algum motivo são mais emblemáticas do que outras.

Quero apresentar a igreja de Santa Maria dos Olivais, na denominação mais antiga como Santa Maria do Olival, está situada em Tomar na margem esquerda do rio Nabão.

Em torno dela, apesar de presentemente não ser identificável, existe uma das maiores necrópoles medievais do mundo, última morada de muitos cavaleiros templários e da Ordem de Cristo.

No interior deste templo, estão sepultados os antigos mestres da Ordem do Templo e alguns da Ordem de Cristo, apesar de os túmulos respetivos já não ali habitarem por diversos motivos fruto dos tempos.

Apesar da inexistência do que poderia ser visível, é naquele chão onde antigos guerreiros, homens da guerra, homens da paz, e provavelmente muitos estrangeiros, confraternizaram nas rezas, preces e lágrimas.

É realmente extraordinário visitar este monumento, onde temos de descer oito degraus depois de entrarmos, pisando depois o chão que refez esperanças e recebeu as notícias de um mundo em descoberta.

Apesar da fundação ser atribuída ao quarto mestre da Ordem dos Templários em Portugal, D. Gualdim Pais em 1160, contam os cronistas que ali já existiam as ruínas de um antigo mosteiro beneditino do século VII.

A escolha como local de descanso dos mestres é questionada por muitos que a visitam, assim como, a importância que transporta após a extinção da Ordem dos Templários.

O mistério do local é sentido por todos de alguma forma, o que a torna mística na sua essência.

No século XV por intervenção papal, foi concedida à Ordem de Cristo estabelecer o direito espiritual sobre as terras encontradas pelas barcas além-mar.

É verdade, a Igreja de Santa Maria do Olival era a igreja mãe de todas as igrejas dos territórios conseguidos do Império Português. O que torna este templo muito importante no que toca ao segredo sobre o que era descoberto, como no caso da informação de se contornar África e navegar até à Índia.

Na procura das pedras, quando visitamos esta maravilha templária, podemos vislumbrar pedaços de muitos séculos, de muitos que olharam, viram e quiseram construir.

Quando a visitamos há uma força anímica, complexa e simples ao mesmo tempo, que percorre cada um de forma diferente, dependendo do que sabemos do local e daquilo que queremos descobrir.

Bem…. Mais não posso contar! Infelizmente não existe um Centro de Interpretação de Santa Maria dos Olivais, onde o método académico da sua descrição seria plausível.

Mas visite, é um bom local para encontrarmos a alma.

 

Créditos: Paulo Guedes Peixoto

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