O Que É um Casamento?

por Garry Craig Powell

Recentemente vi um vídeo de Jordan Peterson em que ele sustentou a opinião que o casamento tem que ser para a vida inteira. Jesus dizia a mesma coisa – ‘Não separeis o que Deus juntou’ (Mateus, XIX) – mas por razões diferentes. Para Peterson, não devemos abandonar um casamento simplesmente porque há problemas, ou porque um dos parceiros tem problemas, porque de fato todos os casamentos e todas as pessoas os têm. E se fugirmos quando surge uma dificuldade num casamento, com certeza vamos encontrar a mesma dificuldade em relações seguintes. Ele reconhece que pode haver exceções: ninguém deve ficar com um esposo violento, por exemplo, ou um esposo desonesto ou infiel. Mas de regra geral, o casamento deve significar um compromisso total ao outro, tal como juramos na cerimónia. Para quem não se lembra, eis o que prometemos:

Prometo ser fiel, amar-te e respeitar-te na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, por todos os dias da nossa vida, até que a morte nos separe.

Muito obviamente, a maior parte da gente, quando juram esses votos, ou são insinceros, ou pelo menos não pensam no que dizem, o que dá ao mesmo. Sabemos isso porque a metade ou mais da metade dos casamentos atuais acabam em divórcio, e muitos dos casais que permanecem juntos não se amam, não se respeitam, e não são fiéis. É uma pena. Se o casamento já é uma instituição arcaica, obsoleta, como muitas pessoas declaram abertamente, então por que casam? Por ser uma ceremónia gira, e para que a noiva possa ter um vestido lindo? Isso é puro sentimentalismo. O fato é que a maior parte das pessoas quando se casam, ou simplesmente quando se coabitam, têm interesses egoístas, e o ‘amor’ que sentem é condicional. O subtexto de uma relação dessas é: Ficarei contigo desde que me dês prazer, e não me chateies, mas abandonar-te-ei se houver qualquer tristeza, doença ou pobreza, puxa! Não quero chatices. Fico contigo enquanto me agrades. E não me venhas com isso da morte, pá. Não penso nisso, é muito mórbido.

Bem, não tenho problemas com uma atitude dessas, desde que seja explícita. Se eu souber que estás comigo pelas vantagens que a relação traz para ti (segurança, sexo, companhia agradável), então a tal relação resume-se a um tipo de comércio, e isso pode ser um entendimento honesto e claro. Superficial, claro, mas desde que os dois partidos entendam a base da relação, não vejo o problema. A dificuldade surge quando um dos partidos é insincero. Se uma pessoa pensa que está num casamento de amor, para a vida inteira, e depois descobre que a outra vai fugir quando surgem problemas, é uma desilusão tão profunda que se calhar nunca recuperará a confiança em pessoas do sexo oposto. É a devastação total.

Jordan Peterson diz que todos nós somos todos ‘a mess’, ou seja, uma desordem, talvez um sarilho. Temos defeitos, todos, sem exeção. Sei que eu os tenho. Por vezes deprimo-me, principalmente com as tolices do mundo, e por vezes fico angustiado. Até posso considerar-me um bocado neurótico, o que é natural para uma pessoa criativa. Os artistas são pessoas difíceis de aturar. Imaginem com era ser a esposa de Tolstoy ou de Dostoyevsky, ou uma das mulheres de Picasso. Mas sou um tipo sincero. Os meus alunos na universidade sempre me descreviam como ‘brutally honest.’ Sou homem da minha palavra. Quando faço um juramento, para mim é solene e sagrado. Preferia morrer do que não cumprir.

No entanto, pelos vistos, sou dos poucos que pensam assim.

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