O calçado português está na moda

por LMn

A produção do designer Luís Onofre é totalmente nacional. Nos últimos dois anos, as suas vendas online cresceram 200%. O designer ressalta a importância do apoio da AICEP. “É uma grande facilitadora de exportações para a marca Luís Onofre. Permite-nos conhecer potenciais novos clientes, participar em webinars relacionadas com e-commerce e exportação…”, garante.

Luís Onofre não pretendia continuar o negócio da família, mas ver o primeiro sapato que criou, em veludo bordeaux e verde, levou-o a querer lançar a sua própria marca. Já calçou Letizia Ortiz, Michelle Obama ou Paris Hilton, tem loja online e duas lojas em Lisboa e no Porto. Quer crescer no comércio eletrónico e é presidente da Confederação Europeia de Calçado.

Para o inverno de 2021, o estilista portuense inspirou-se na grandiosidade militar de Napoleão Bonaparte para desenvolver uma coleção que pretende ser intemporal. Nela, o destaque é dado às botas, que se apresentam versáteis: tanto podem ser curtas, slim fit ou de cano franzido. Entre o impacto das camurças vermelhas, cor-de-rosa ou roxas, adornadas a ouro, e a discrição do efeito croco estampado em verde militar, todos os estilos convergem. A robustez das galochas suaviza-se com o acréscimo dos saltos altos e a alvura do branco. As texanas regressam com bordados contrastantes. Nestes novos modelos, a inovação surge também através de um novo formato de salto curvo adornado com o monograma da marca, que sobressai em botins e stilettos.

Um design com um estilo muito próprio e qualidade reconhecida não só em Portugal mas internacionalmente.
Em entrevista ao Jornal Económico, Luís Onofre esclarece que a sua marca é produzida em território nacional. “Obviamente, contamos com a colaboração de alguns parceiros estrangeiros para o fornecimento de materiais e matéria-prima. No entanto, a produção da Luís Onofre é, seguramente, 100% made in Portugal.”, diz.

A marca está, acrescenta o seu criador, “tão orientada para exportação como para venda em território nacional.” Está representada em Portugal, Espanha, Estados Unidos da América, França, Suíça, Luxemburgo, Emirados Árabes Unidos e Ghana.
Neste momento, a expressão da venda online para a Luís Onofre é muito forte. “Nos últimos dois anos, as vendas online da marca cresceram cerca de 200%”, revela o estilista.
O designer ressalta a importância do apoio da AICEP. “A AICEP é uma grande facilitadora de exportações para a marca Luís Onofre. Permite-nos conhecer potenciais novos clientes, participar em webinars relacionadas com e-commerce e exportação, etc.”, garante.

Luís Onofre tem presença garantida no novo Marketplace do El Corte Inglés. A cadeira espanhola juntou-se à Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) para lançar um marketplace inteiramente dedicado a marcas portuguesas. A ideia é promover negócios e ideias com ADN nacional através dos canais online, tendo em conta a qualidade reconhecida dos produtos portugueses.

Moda, casa e tecnologia são as áreas abrangidas por esta iniciativa, que ambiciona funcionar também como uma alavanca para a internacionalização das marcas envolvidas. Os parceiros terão oportunidade de tirar partido da cadeia de fornecimento online dos grandes armazéns em Portugal e em Espanha.
A parceria com a AICEP aposta desta feita no canal digital e na criação de uma montra mais alargada de diferentes marcas. Para integrar o marketplace basta contactar a AICEP ou a Direção de Compras do El Corte Inglés em Portugal. Fátima Lopes e Marta Ponti são outras duas estilistas que já têm presença garantida.

Sector em queda mas não tão acentuada como as previsões
Os portugueses compraram, em 2020, 49 milhões de pares de sapatos, menos 16 milhões do que no ano anterior. Os dados são da Associação Portuguesa dos Industriais de Calçado, Componentes, Artigos de Pele e Seus Sucedâneos (APICCAPS), dirigida precisamente por Luís Onofre. A moda foi um dos sectores mais afetados pela pandemia. Confinados ou em teletrabalho, os consumidores não tiveram apetência por vestuário ou calçado. As previsões apontavam para que o consumo mundial caísse 20%, correspondentes a menos cinco mil milhões de pares de sapatos vendidos em todo o mundo. A realidade acabou por se revelar dura, mas não tão trágica, já que a Ásia e os países menos desenvolvidos superaram as expectativas.

Os dados do World Footwear Yearbook (WFY) mostram que a quebra da produção mundial foi de 15,8%, correspondente a menos quatro mil milhões de pares. Um número que, ainda, assim, “destrói todo o crescimento acumulado na última década”, como foi revelado pelo documento estatístico desenvolvido pelo gabinete de estudos da APICCAPS.
A nível nacional, a dimensão foi mais intensa. Apesar de a produção nacional de calçado ter caído apenas 13%, para 66 milhões de pares, menos 10 milhões do que em 2019, a nível do consumo a regressão foi de quase 25%, passando de 65 milhões de pares comprados em 2019 para 49 milhões em 2020. O que levou Portugal a cair de 53.º para 58.º no ranking mundial dos maiores consumidores de calçado. As importações de calçado sofreram um decréscimo significativo em 2020. Em vez dos 65 milhões de pares de sapatos comprados ao exterior em 2019, Portugal importou, em 2020, apenas 44 milhões de pares. São 21 milhões de pares a menos, que equivalem a uma quebra total de 32,3%. O país passou, assim, nas importações, a ocupar o 53.º lugar no ranking mundial da WFY, caindo do 46.º posto em que estava antes da pandemia.

Já as exportações portuguesas de calçado caíram 22,4%, para abaixo dos 672 milhões de euros, no primeiro semestre de 2020, face ao mesmo período de 2019, penalizadas pela pandemia, segundo o relatório “International Footwear Trade”. A quebra das vendas de calçado português para o exterior ficou, ainda assim, abaixo da diminuição homóloga global de 31,1% (14,3 mil milhões de euros) registada até junho nas exportações do sector a nível mundial e que, segundo o mesmo relatório, “refletiu a disseminação da pandemia de Covid-19 por todo o globo”.

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