Novo ano académico no Departamento de Língua e Literatura Portuguesas

por LMn

No dia 7 de setembro vai começar o novo ano académico na Faculdade de Letras da Universidade Eötvös Loránd de Budapeste. Assim, recomeça também a vida no Departamento de Língua e Literatura Portuguesas.

No primeiro ano vai haver 17 novos alunos no curso de licenciatura portuguesa, além dos estudantes do curso “minor”, que estudam português como segunda especialidade. No curso de mestrado haverá 4 novos alunos. Em comparação com os outros departamentos, o número de alunos admitidos é prometedor: só para mencionar as línguas da família românica, isto é, os outros departamentos do Instituto de Romanística, entram 22 alunos de espanhol, 20 de italiano e 25 de francês na licenciatura, e 3 de espanhol, 5 de italiano e 4 de francês no mestrado. De romeno só foi admitido um estudante de mestrado. No total haverá 1803 novos estudantes na faculdade, sem contar os que estudam para serem professores, que fazem um curso completo, sem ser dividido em licenciatura e mestrado.

Na faculdade, na licenciatura de 3 anos, os estudantes podem estudar só língua e filologia portuguesas ou fazer o curso de português e paralelamente outro curso “minor”. Os que virão a ser professores fazem dois cursos paralelos, já que no liceu também terão de ensinar duas disciplinas. No mestrado, de 2 anos, os alunos já só estudam filologia portuguesa.

A principal diferença entre o curso de licenciatura de português e as outras línguas românicas ocidentais é que os candidatos de português podem entrar sem conhecimento da língua que vão estudar. Esta condição determina em grande medida o programa de ensino do departamento, visto que os alunos, no primeiro ano, devem aprender de forma intensiva a língua portuguesa e atingir um nível adequado para, desde o segundo ano, poderem seguir todas as aulas em português e serem capazes de ler obras literárias e obras sobre literatura e linguística em língua portuguesa. O primeiro ano é, portanto, consagrado à aprendizagem da língua portuguesa e às aulas introdutórias de civilização. No segundo e no terceiro ano já têm maior peso as aulas de literatura, cultura e linguística. No final dos estudos, os alunos devem fazer uma tese de 30-40 páginas aproximadamente sobre um tema escolhido, relacionado com algo que estudaram no curso. O mestrado dura 2 anos e os alunos estudam disciplinas de literatura, linguística e cultura, num nível mais elevado do que na licenciatura. Para acabar os estudos devem entregar uma tese de cerca de 50 páginas. Depois do mestrado, os estudantes podem ainda fazer o curso de doutoramento (PhD) de literatura portuguesa. Os que quiserem fazer uma tese de doutoramento de linguística portuguesa devem fazer o curso de linguística românica.

Ao acabar os estudos de licenciatura, o conhecimento linguístico dos alunos deve chegar ao nível comum de referência C1. Os estudantes aprendem o português europeu, devem conhecer as regras gramaticais desta variedade, mas na língua oral e na produção de textos podem optar pela norma brasileira, se preferirem. No departamento há dois leitores, um português e outro brasileiro (atualmente uma leitora brasileira), cujo trabalho fundamental é o ensino da língua, mas também lecionam outras disciplinas da sua área.

No departamento há 5 outros professores, mais um professor emérito. Todos são húngaros.

Além da atividade de ensino, na universidade organizam-se também atividades culturais. Junto ao departamento funciona o Centro de Língua Portuguesa do Instituto Camões, com uma biblioteca própria, o Centro Científico Brasileiro, o Centro da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa e o Centro de Estudos Galegos, também com biblioteca própria. Isto mostra que o departamento representa muito bem a riqueza do mundo lusófono, até num sentido mais amplo, incluindo o galego.

A principal tarefa do departamento é o ensino da língua e filologia portuguesas, mas também é interessante ver quais podem ser as possibilidades dos alunos para encontrar trabalho. Os filólogos são geralmente pessoas abertas, capazes de trabalhar em âmbitos muito variados. Assim, os estudantes com diploma de português podem trabalhar na área da cultura, por exemplo como tradutores, intérpretes, editores, jornalistas, como guias turísticos, ou também em empresas multinacionais, etc. Mesmo se o seu trabalho muitas vezes não tem nada a ver com o sistema vocálico do português antigo ou com a literatura africana, é de esperar que o programa de ensino do departamento contribua para aprofundar os seus conhecimentos culturais, desenvolver as suas competências linguísticas e sociais e, em geral, alargar as perspetivas da sua mentalidade.

O ensino do português começou na faculdade em 1977. O departamento é, portanto, relativamente jovem, sobretudo se temos em conta que a Universidade foi fundada em 1635. O departamento criou-se no seio do Departamento de Italiano. Os diretores do departamento foram Zoltán Rózsa (até 1995), fundador do departamento; Giampaolo Salvi (1995-1997), Ferenc Pál (1997-2014), que participou no trabalho de ensino logo desde o início; e István Rákóczi (2014-2020), estudante da primeira turma que acabou o curso de português. Uma parte dos professores, a categoria burocrática da especialidade e os planos de estudos naturalmente mudaram durante este período superior a 40 anos, desde logo com o processo de Bolonha, em 2005.

Apesar de o departamento e os estudos de português terem uma certa tradição na nossa faculdade, este ano, tal como em todos os anos, também vai haver novidades. Em primeiro lugar, os novos alunos. Para os professores o início de cada ano académico é um desafio, porque não se pode saber quem serão os novos alunos. Se calhar haverá entre eles uma futura estrela da filologia portuguesa ou românica ou um magnífico professor ou intérprete de português. Ou simplesmente uma pessoa interessante, com quem os professores vão conviver durante pelo menos três anos. Em segundo lugar, este semestre será especial, como o foi também o anterior, no sentido de que com o COVID-19 é possível que o ensino deva realizar-se on-line, o que requer uma metodologia de ensino completamente diferente. Mas, de momento, o curso vai começar no sistema presencial. Mesmo assim, é difícil imaginar todos os alunos com máscara nas aulas, sentados a uma distância de um metro e meio uns dos outros. Em terceiro lugar, para mim pessoalmente será um ano especial, porque tenho a honra de ser agora diretora do departamento, tendo sido nomeada para os próximos quatro anos. Mas espero que esta mudança não afete de forma considerável a vida do departamento, visto que pretendo continuar de forma digna o trabalho dos meus predecessores.

Ildikó Szijj

Ildikó Szijj licenciou-se em filologia portuguesa, espanhola e francesa pela Universidade ELTE de Budapeste e doutorou-se em linguística românica pela mesma universidade com uma tese sobre morfologia verbal galega. É professora associada no Departamento de Língua e Literatura Portuguesas, diretora do Departamento desde julho de 2020.

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