No escurinho do cinema…

por João Miguel Henriques

…ou simplesmente no aconchego da sala ou do quarto de dormir, dadas as actuais e restritivas circunstâncias, nas próximas semanas serão vários os filmes portugueses à disposição do público húngaro e à distância de um clique. Sim, é verdade que não é a mesma coisa, não precisámos de uma pandemia para descobrir que a magia de uma sala de cinema, com todo o seu ambiente e ritual, dificilmente se poderá comparar ao visionamento de um filme em casa, em ecrã mais pequeno, por maior que seja a televisão ou tela de projeção. Essa é uma evidência já muito antiga, do tempo dos entretanto já extintos videoclubes (o da minha rua chamava-se K7, e envergonho-me hoje do tempo que na altura, ainda pequeno, demorei a entender esse nome). Mas as coisas são como são, ou estão como estão, por mais que alguns negacionistas defendam o contrário, e o mais importante é  constatar que toda uma série de festivais de cinema optou (e bem, na minha opinião) pelo formato online como alternativa ao puro e simples cancelamento. E há umas quantas coisas bem interessantes para ver em língua portuguesa até ao fim do ano.

Comecemos pelos bonecos, para miúdos e graúdos. Portugal é o país em destaque na 18ª edição do Anilogue, o maravilhoso festival de cinema de animação de Budapeste. Mediante a exibição de curtas-metragens, pretende-se dar a conhecer ao público húngaro o cinema de animação feito em Portugal. Foram infelizmente adiadas para o próximo ano as sessões programadas para a sala do Art+ Cinema, mas haverá uma exibição online de sete filmes portugueses, agendada para o domingo, dia 29 de Novembro, às 19:30. Após a sessão, todos os espectadores estão convidados a juntar-se numa conversa virtual com alguns dos realizadores das obras exibidas.

Também online terá lugar entres os dias 20 e 29 de Novembro o Blue Danube Film Festival, uma jovem mostra de curtas-metragens, reunindo no seu programa quase oitenta produções independentes dos quatro cantos do mundo. De Portugal chegam os filmes Invisível Herói (de Cristèle Alves Meira), Past Perfect (de Jorge Jácome) e Purpleboy (Alexandre Siqueira). Destaque ainda para Flesh, da brasileira Camila Kater.

E finalmente, entre os dias 9 e 13 de Dezembro, as Embaixadas de Angola, Brasil e Portugal em Budapeste, em cooperação com o Centro de Língua Portuguesa do Instituto Camões, apresentam mais uma edição do Festival de Cinema de Língua Portuguesa, este ano naturalmente em formato online. Os cinco filmes do programa serão disponibilizados gratuitamente ao ritmo de um filme por dia, das 12:00 de um dia até às 12:00 do dia seguinte, permanecendo cada filme disponível para visionamento durante 24 horas. O link para o visionamento de cada filme será fornecido em resposta a um e-mail que os interessados deverão enviar para: festivalcinemabudapeste@gmail.com. Todos os filmes são em língua portuguesa, com legendas em inglês. A abrir a mostra, a produção Njinga, Rainha de Angola conta-nos a incrível história de Njinga (1583-1663), rainha dos reinos do Ndongo (ou Ngola) e de Matamba, uma guerreira africana que durante quatro décadas tudo fez para poupar o seu povo ao destino cruel da escravatura, generalizada pelos europeus no séc. XVI. Do Brasil chegam-nos os recentes filmes A Colmeia e Humberto Mauro, este último um belíssimo documentário de tributo ao cineasta Humberto Mauro, considerado o pioneiro do cinema brasileiro e latino-americano. Dirigido por seu sobrinho neto, André di Mauro, filme mostra a vida do realizador através dos seus filmes, numa narrativa composta por entrevistas com ele realizadas nos anos 60. E também biográficos, ainda que em registos bem diferentes, são os filmes portugueses incluídos no programa do Festival. Soldado Milhões e Variações contam a história de duas figuras bem singulares do século XX português. Mas sobre elas e sobre esta mostra de cinema falaremos mais detalhadamente na próxima semana, que isto foi só para abrir um pouco o apetite.

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