Namorar Portugal

por Dina Cardoso

Com origem no século XVIII, os Lenços Namorar Portugal (ou Lenços de Pedido)  eram, segundo a tradição minhota, panos de linho ou de algodão alegremente bordados, com motivos florais, símbolos amorosos (coração, pássaros a voar, chaves, …) e mensagens em quadras num português arcaico, não raras vezes com erros ortográficos, evidenciando a falta de escolaridade das autoras.

Quem os bordava eram raparigas simples dos meios rurais da região do Minho, que declaravam o Amor através desta forma de código. Em finos panos de linho, tecidos por elas, ou em lenços de algodão comprados a feira, as raparigas bordavam-nos, com os cuidados que o palpitar do coração punha nas mãos.

Depois de bordado, secretamente, faziam chegar o lenço ao amado e se este o usasse em público era sinal que o amor era correspondido, começando assim o namoro, não poucas vezes, às escondidas…

Todos os Lenços têm associadas histórias de amores felizes ou menos ditosos, paixões avassaladoras ou simples fulgores momentâneos, retratados nos desenhos policromáticos bordados sobre a brancura do linho.

Dezenas de exemplares extraordinários destes Lenços chegaram aos nossos dias, alguns traduzindo fenómenos sociais marcantes como a emigração para o Brasil, registada no início do século XX, que afetou particularmente o Minho: ‘Meu Manel bai pro Brasil/ Eu tamém bou no bapor/gardada no coraçon/ Daquele qué meu Amor’.

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