Na Hungria também se ensina e aprende-se português

por LMn | Lusa

O Centro de Língua Portuguesa do Instituto Camões de Budapeste existe há mais de 20 anos e está à disposição de todas as pessoas que se interessem pela língua e cultura portuguesas.

Por António Botelho, enviado especial da TSF a Budapeste

Instituto Camões fica mesmo ao lado do museu de Belas Artes de Budapeste. É lá que me encontro com João Miguel Henriques, o diretor do instituto e as formalidades do encontro são um pouco diferentes daquilo que estamos habituados em Portugal. João cumprimenta-me com um passou-bem. A Hungria está mais perto daquilo que chamamos a normalidade e João Henriques também já tem a primeira dose da vacina.

Agora, vamos caminhar 100 metros até à Faculdade de Letras de Budapeste. À entrada, há uma bonita placa que tem escrito “Eötvös Loránd Tudományegyetem”, o nome desta universidade: “É a maior Universidade da Hungria e maior Faculdade de Letras e talvez por isso seja a única aqui que tem um departamento de português autónomo”, explica João Miguel Henriques.

Aqui ensina-se português, com todos os graus de ensino superior, a licenciatura, o mestrado, o doutoramento, e é composto por “um corpo docente de professores húngaros e com dois leitores nativos, o leitor do Camões, o português, e, neste momento, uma leitora enviada pelo estado brasileiro, que é a minha colega, Luma”, conta, à TSF, o diretor deste instituto sediado no centro da capital da Hungria.

É um curso normal, de uma universidade húngara e qualquer aluno pode inscrever-se, acrescenta João Miguel Henriques: “O curso de português desta universidade tem uma característica que o diferencia do espanhol, do italiano ou do italiano. É que os alunos podem inscrever-se sem um conhecimento prévio do português”, revelando que “por isso, o primeiro ano é muito em húngaro, de iniciação à língua e, a partir do segundo, os alunos já têm as aulas em português.”

É tempo de férias escolares. A faculdade, recheada de árvores no interior, entre os vários pavilhões, está quase vazia e vigora um ambiente muito tranquilo. Fizemos o percurso da entrada da faculdade até ao pavilhão C, o pavilhão onde está o Instituto Camões: “Este é o edifício onde está o departamento de italiano, espanhol e, também, o de português”, diz João Henriques, enquanto vamos subindo as escadas no interior do pavilhão. Logo à esquerda, há uma porta: “Aqui é o departamento de português da faculdade. Temos uma sala de lusofonia, que é sala de aulas principal e, também, uma sala onde recebemos alguns convidados.”

Olhamos para as paredes e percebemos que estamos num cantinho português: os azulejos, as fotografias de Portugal e, depois, a entrada para o Centro de Língua Portuguesa do Instituto Camões, que está revestida de cortiça. Entramos e logo numa apertada porta à direita fica a biblioteca. A biblioteca tem o formato de um barco para recordar um pouco a época gloriosa dos portugueses na altura dos descobrimentos. Sentada no fundo da sala está Bogi, alcunha para Bóglarka Varga, aluna que concluiu este curso de português

Numa conversa num português quase perfeito, Bogi conta que o percurso de aprender não foi muito complicado: “Na verdade, quando eu comecei o curso, antes nunca tinha ouvido português. Então foi engraçado começar assim uma língua nova, mas adorei. E, depois, durante os mesmos estudos, estive um semestre no Porto, e isso ajudou-me muito.” Fala muito bem português. Tão bem, que já deu um ‘salto’ dentro do próprio instituto. “Eu agora ensino português para húngaros e húngaro para português e brasileiros. Tenho muito trabalho com isto”, afirma, orgulhosa, esta cidadã húngara.

Todos os anos cerca de 100 alunos procuram este curso de língua portuguesa, sendo que, inscreve-se “quem tem amor pelas línguas estrangeiras, amor pelo país que visitou numas férias de verão com os pais ou com os amigos e, depois, há pessoas que veem nas línguas estrangeiras uma vantagem para o futuro para trabalharem na diplomacia, no setor turístico ou em multinacionais”, sublinha João Henriques.

Oiça a reportagem da TSF com João Miguel Henriques

Fonte: https://www.tsf.pt/

 

 

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