Móveis Olaio: Não é pelo dinheiro que custam, mas sim pelo conforto e distinção

por Dina Cardoso

Em 1886, um homem de origens modestas fundava uma empresa de móveis que daria cartas durante mais de um século no design nacional. A Olaio faz parte do património afetivo – e material – de várias gerações de portugueses.

Rever a história da Casa Olaio também é rever a história de edifícios públicos, hotéis, restaurantes, pastelarias e habitações particulares. Rever e continuar a ver – já que muitos destes móveis ainda se encontram a uso.

“Fico sentada no meu ninho e olho as cores, as plantas e tenho vontade de pintar mas não sei como.”

Carta a 20 de outubro de 1938, de Vieira da Silva [R. Andrade Corvo, Lisboa] para Arpad Szenes [51, Boulevard Saint-Jacques, Paris]

 

Foi em boa hora que Rui Rocha decidiu entregar os 590 desenhos, datados entre 1947 e 1970, que estavam em sua posse, ao Museu de Cerâmica de Sacavém.

Tinham-lhe ido parar às mãos quando trabalhava na empresa encarregue de desmantelar a fábrica Olaio em Loures, depois de declarada a falência em 1998 e quando já não estava nas mãos da família. Mas o morador de Sacavém reconheceu-lhes o valor. Vinham em cinco grandes envelopes, organizados por temas – bancos, fauteuils e cadeiras; mesas, cadeiras e consolas; móveis-bar, roupeiros e armários; maples e sofás; quartos e escritórios. “É a partir destes desenhos”, diz Conceição Serôdio, responsável pelo Centro de Documentação do museu, “que nasce a ideia de fazer uma exposição”.

Foram seis meses de intensa pesquisa que contou com a ajuda da própria família, antigos trabalhadores da fábrica, investigadores e instituições que tinham mobiliário nas suas coleções. Como a Casa-Museu Leal da Câmara, em Sintra, dedicada ao caricaturista republicano contratado em 1920 para desenhar móveis; o Museu da Assembleia da República, o MUDE – Museu do Design e da Moda ou o Museu da RTP. “Também contactámos muitos particulares, mas foi difícil convencer as pessoas a emprestar, durante um ano e meio, os móveis que têm a uso”, conta Conceição Serôdio. Composta por peças de mobiliário, desenhos originais e fotografias, documentos oficiais, testemunhos de trabalhadores e mais de uma dezena de catálogos, a exposição Móveis Olaio. Produção, Inovação e Qualidade dá a conhecer, até final do próximo ano, aquela que foi uma das grandes marcas do mobiliário em madeira que decorou casas em Portugal. Mas também forneceu escolas, universidades, ministérios, hospitais ou repartições públicas, em resposta às grandes encomendas públicas, chegando mesmo à Sala do Governo da então Assembleia Nacional, com peças, ainda hoje a uso, desenhadas pelo arquiteto Raul Lino. A qualidade, as inovadoras linhas depuradas, ao estilo escandinavo, e a entrega dentro dos prazos valiam-lhe o reconhecimento. Entre 1950 e 1970, já com José Espinho à frente de uma equipa de desenhadores e a fábrica a produzir em série, chegavam as encomendas para os hotéis Ritz, Tivoli e Estoril-Sol; para os teatros Monumental, Éden e Capitólio; para o Café Império, Cervejaria Solmar, Pastelaria Mexicana, entre muitos outros. Do estrangeiro, vinham as licenças para produzir e comercializar as estantes da marca sueca Lundia, o sofá-cama da dinamarquesa Lifa e o mobiliário da alemã Interlübke.


De pequena empresa familiar, a Olaio conseguiu afirmar-se como dos fabricantes mais importantes a nível nacional, fazendo a história do mobiliário português.

FEITO À MÃO EM PORTUGAL

Produzido localmente em Portugal, por artesãos altamente qualificados no trabalho da madeira, comprometidos em criar peças de mobiliário de alta qualidade. Feito devagar e com cuidado. Feito à mão.

 

 Fonte:

https://olaio.pt/pt/

visão.sapo.pt

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