Mindelact levou teatro a 5.000 pessoas em Cabo Verde em dez dias

por LMn | Lusa

Cerca de 5.000 pessoas assistiram aos espetáculos da 27.ª edição do Festival Internacional de Teatro de Cabo Verde (Mindelact), que terminou na segunda-feira, revelou hoje a organização, assumindo que ultrapassou as expectativas.

Esta edição do Mindelact envolveu 67 espetáculos de 05 a 15 de novembro, entre as ilhas de São Vicente e de Santiago, que voltaram a ter a lotação máxima, pela primeira vez desde o início da pandemia de covid-19, além de um teatro radiofónico.

De acordo com presidente da associação Mindelact, João Branco, a programação da edição deste ano, designada “esperança”, contou com espetáculos de 14 países, incluindo Portugal, sendo que “muitos em estreia mundial” e com artistas de três continentes, tendo chegado a cerca de 5.000 espetadores, entre os palcos principais, no Mindelo, e a extensão na Praia.

“Ultrapassámos o que eram os nossos objetivos iniciais”, afirmou João Branco, em declarações à Lusa, assumindo que a retoma do festival no pós-pandemia foi um sucesso, resultando de uma aposta “forte” neste período de crise económica e sanitária.

“Estamos a sair de um período muito difícil, porque estamos em contexto pandémico, e a entrar noutro período difícil, porque, como sabemos, estamos numa crise económica difícil, apesar de se sentir em vários aspetos a recuperação, principalmente com a abertura do turismo”, disse.

Na hora do balanço, o presidente da associação Mindelact reconheceu ainda os problemas logísticos que o festival teve de ultrapassar nesta edição: “Ressentiu-se de duas formas substanciais, sobretudo na logística: uma pelo preço das passagens, muito caras, o que torna difícil trazer gente para cá e levar os artistas para a Praia, em companhia, que monopoliza também o trajeto. O outro problema é que um dos setores que temos tido bastante apoio tem sido na componente do alojamento e este ano toda a gente que trabalha no setor hoteleiro teve o negócio fechado durante dois anos e foi muito difícil conseguir parcerias neste setor”.

Considerado uma referência nos festivais de teatro entre os países africanos de língua oficial portuguesa, a edição de 2021 do Mindelact teve o “alto patrocínio” da Câmara Municipal de São Vicente, do Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas de Cabo Verde e do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, de Portugal.

Ao mesmo tempo, João Branco garante que empresas as públicas e privadas passaram a “contribuir com o que foi possível” para fazer acontecer esta edição.

“Mais uma vez o Mindelact resulta da soma de muito boas pequenas vontades, pequenas não no sentido de desvalorizar”, realçou o presidente da associação e encenador.

Tendo em conta todas estas circunstâncias, João Branco garante que foi um festival “extraordinário”, com 67 espetáculos em 10 dias nas cidades do Mindelo e da Praia, com apresentações em palcos, nas rádios e espaços digitais, onde o encerramento “impressionou” até os mais experientes.

“É importante sublinhar que não se pode falar desta edição sem falar do último dia do Mindelact, que fechou a sua programação com um espetáculo único e devo dizer que já vi muita coisa na minha vida, no domínio das artes e dos espetáculos e o espetáculo ‘CV Matrix 46’, que encerrou o Mindelact, foi dos melhores espetáculos que já vi na vida. Foi uma apresentação verdadeiramente extraordinária da companhia ‘Raiz di Polon’ que foi realizada, montada justamente para este dia para a comemoração dos seus trinta anos”, apontou, João Branco, considerando que este espetáculo correspondeu com a imagem que foi a edição “esperança” deste ano.

“Foi uma edição que nos criou um vazio muito grande por causa da falta que a Samira [ativista cultural e colaboradora do festival, que morreu este ano com covid-19] nos fez, mas ao mesmo tempo abriu luzes de esperança para o futuro. Já anunciamos que 2022 o festival Mindelact será o ano da celebração”, concluiu.

O pré anúncio, de acordo com o presidente, pressupõe que a edição “esperança” conseguiu cumprir a sua missão e criar uma onda de otimismo e ousadia para as novas edições.

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