Milhares de pessoas esperadas em Constância para secular bênção dos barcos

por LMn | Lusa
image_pdfimage_print

Cerca de 30 embarcações engalanadas provenientes dos municípios ribeirinhos e milhares de pessoas são esperadas no fim de semana da Páscoa em Constância, nas festas do concelho e em honra da padroeira local, Nossa Senhora da Boa Viagem.

“As nossas festas contam com mais de 200 anos e dividem-se em duas partes: a tradição religiosa e a parte pagã”, disse à Lusa o presidente da Câmara de Constância, Sérgio Oliveira (PS), lembrando que esta é a “festa maior” do concelho, juntando todos os anos centenas de marítimos e milhares de pessoas para assistir à bênção dos barcos nos rios Tejo e Zêzere, sempre na segunda-feira da Boa Viagem, feriado municipal em Constância, no distrito de Santarém.

A parte religiosa, referiu, “assenta na tradição marítima e na procissão em Honra de Nossa Senhora da Boa Viagem, com a bênção dos barcos nos rios Tejo e Zêzere e a bênção das viaturas na Praça Alexandre Herculano”, sendo esta “a raiz” de uma festa que começou com um pedido de proteção dos marítimos à Santa Padroeira para o ano de faina que iriam ter.

“Esta tradição começou com um grupo de marítimos que se juntaram há mais de 200 anos e que pediram [autorização], na altura, à diocese, para a construção de um altar na Igreja Nossa Senhora dos Mártires dedicado à Nossa Senhora da Boa Viagem”, como protetora dos mesmos, explicou.

“A partir daí, todos os anos há procissão e a bênção junto aos rios”, sempre na segunda-feira de Pascoela, reunindo os marítimos e as suas famílias, provenientes de vários municípios ribeirinhos.

Tempos em que muita gente vivia dos rios e pedia proteção à padroeira para enfrentar mais um ano de trabalho duro e muito perigoso, e em que os rios tinham fortes caudais e eram as estradas de então.

“Hoje, o significado da atividade marítima é bastante reduzido em comparação com aquilo que existia até à segunda metade do século XX”, observou o autarca, tendo feito notar que, no entanto, a tradição “mantém-se”, sendo aguardadas este ano “cerca de 30 embarcações engalanadas vindas de quase todos os municípios ribeirinhos, desde Vila Velha de Ródão a Lisboa”.

Sérgio Oliveira sublinhou um momento que “exalta a tradição, os encontros, afetos e amizades”, destacando a importância e a envolvência popular na parte pagã da festa, com as ruas floridas com temas alusivos à Páscoa, aos rios e à pesca, as tasquinhas e a gastronomia típica, dinamizadas por associação concelhias, o desporto, os concertos e o folclore, com o rancho ‘Os Camponeses’ de Malpique a lembrar também a tradição de um mundo rural e muito ligado à agricultura nas freguesias de Montalvo e de Santa Margarida da Coutada.

As festas decorrem entre os dias 07 e 10 de abril tendo como cabeças de cartaz Bárbara Bandeira, Jorge Guerreiro, David Carreira e David Antunes & The Midnight Band.

O Grande Prémio da Páscoa em Atletismo, artesanato, exposições, música, ruas floridas, tasquinhas, gastronomia, doçaria e animação são as diversas vertentes que constituem um evento que culmina no dia 10 de abril, feriado municipal, com a bênção dos barcos e um espetáculo de fogo-de-artifício.

MYF // MLS

Também poderá gostar de

O nosso website utiliza cookies para melhorar a sua experiência de navegação. Aceitar Ler Mais

Privacidade