Luís Araújo: «Temos tudo para recuperar rapidamente o nosso posicionamento e a importância do setor turístico a nível nacional»

por LMn
Num ano marcado pela pandemia de COVID-19, aquele que era o setor estrela da economia nacional sofre quebras na ordem dos 70%. Enquanto todo um setor luta para sobreviver ao embate, as boas notícias começam a chegar: a vacinação arranca no início do ano e um novo relatório europeu conclui que não são os viajantes os focos de transmissão do novo coronavírus, o que dará azo ao regresso da mobilidade. Numa entrevista dividida entre o impacto da pandemia e o foco num turismo futuro mais sustentável, Luís Araújo, presidente do Turismo de Portugal e presidente da European Travel Commission, destapa o véu dos novos rumos que o setor deverá seguir.

Vamos com nove meses de pandemia. Que impactos no setor podem ser avaliados até agora em Portugal? Qual é o retrato geral?

Os últimos dados que temos são de setembro, mas com base nestes números já conseguimos ter alguma visão. Em 2020, temos sensivelmente o mesmo número de hóspedes que tivemos em 1995. Estamos a regredir entre 20 e 25 anos. A questão aqui é que regredimos 20 anos a nível de hóspedes, mas a situação hoje, a nível de oferta, é completamente diferente da de há 20 anos. Só para lhe dar uma ideia, temos mais quase 30% de camas de empreendimentos turísticos, temos mais 100 vezes o número de camas de alojamento local, temos 20 vezes o número de empresas de alojamento local. Portanto, há aqui uma multiplicação, fruto também dos resultados que temos visto nos últimos anos, de investimento no setor do turismo por parte de grandes empresas, mas principalmente por parte de pequenas e microempresas. Isto em todo o território nacional e não apenas em zonas mais turísticas. A conclusão é que, obviamente, temos uma situação em que há menos receitas para uma abrangência muito maior. Temos muitas mais empresas e pessoas a dependerem diretamente do setor e que apostaram no setor do turismo, o que é algo extremamente positivo, porque continuamos a dizer que todos os ativos que nos distinguem e nos distinguiram nestes últimos anos continuam cá. Nós continuamos a ser o 12ª destino turístico mais competitivo do mundo.

O que se aprendeu com esta situação?

É importante percebermos a fragilidade do setor no que toca à dependência das condicionantes externas. Um atentado terrorista, um furacão ou uma pandemia têm impacto direta e imediatamente no setor turístico. Daí esta situação estar a verificar-se de maneira tão forte no setor do turismo. O que é preciso agora é recuperar a confiança e eliminar as restrições que existem à mobilidade internacional. Estas são as duas vertentes que têm de ser trabalhadas agora mais intensamente.

Tivemos uma ótima noticia que para o setor pode ser mais importante do que a vacina. A ECDC – Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças e a EASA – Agência Europeia para a Segurança da Aviação lançaram um estudo onde apresentam como conclusão que quarentenas e testagem não são necessárias para viajantes. Como não se tem verificado uma maior incidência da COVID-19 nos viajantes, as pessoas que viajam devem seguir as mesmas regras que as populações locais, portanto, não faz sentido ter quarentenas, nem testagens adicionais.

Isto parece lógico.

Exato. Isto era uma coisa que vínhamos a dizer há meses. A própria IATA-Associação Internacional de Transportes Aéreos lançou um estudo que diz que havia 44 infetados dentro de um avião para 1,2 mil milhões de passageiros, portanto, dá um infetado para 27 milhões. É este tipo de informação que para nós é importante. Não é pelo simples facto de se proibir movimentações entre países que se controla a situação. Nós temos de analisar estes dados – e foi o que a ECTC fez agora – e ver exatamente se há um risco acrescido ou não. Agora vêm dizer que não há nenhum risco acrescido, tanto que não faz sentido criar estas regras.

Mas, em termos de impacto até agora, qual a dimensão do abalo no turismo em Portugal?

As previsões apontam para os mesmos números que a OMT-Organização Mundial do Turismo e a WTTC – Conselho Mundial de Viagens e Turismo lançaram, que é entre 60% a 80% de quebra relativamente a 2019. Temos dados estatísticos até setembro, portanto, vamos ver quando o ano fechar, mas a previsão andará à volta dos 70% de quebra.

Nos países do sul da Europa, o setor foi ainda mais afetado?

Isso é uma ótima questão, porque há uma segunda conclusão que nós tiramos disto. A primeira é a fragilidade do setor e dependência dos fatores externos. A segunda tem a ver com a importância deste setor não só nos países que mais dependem do setor turístico, mas também nos países que são emissores de turismo. Dentro da ETC reunimos todos os organismos de turismo da União Europeia e todos têm as mesmas conclusões. Muitos dos países que são grandes emissores também se veem afetados porque as companhias aéreas estão afetadas, os tour operadores, os agentes de viagens, eles próprios também são recetores de turistas, portanto, isto é algo que afeta toda a União Europeia e não só os países que dependem mais do turismo. Está tudo interligado.

No caso concreto de Portugal, vimos já manifestações na rua de descontentamento. Que medidas de apoio ao setor são ainda necessárias para aguentar o barco?

O que temos feito no Turismo de Portugal é responder às necessidades presentes – daí a linha de microcrédito que foi lançada, temos mais de 24 mil colaboradores do setor do turismo que foram apoiados através das empresas com a linha do microcrédito; iniciativas que foram levadas a cabo pelas escolas do Turismo de Portugal, nomeadamente a questão da formação online que foi dada ao longo destes meses (tivemos mais de 64 mil pessoas que receberam formação online), estamos a lançar um novo programa que é o Upgrade, focado exclusivamente na questão do digital e da sustentabilidade. O ‘Clean & Safe’, que foi o selo que permitiu a muitas das empresas atualizarem-se e prepararem-se de acordo com as regras emitidas pela Direção-Geral da Saúde para as novas necessidades do turista. Portanto, tem sido feito um esforço do nosso lado de responder àquilo que são as necessidades e, principalmente, de apoiar ao longo desta situação anómala.

O que nós achamos é que é obviamente uma situação difícil, porque não existe confiança do lado dos mercados externos – houve uma boa resposta do mercado interno na altura do verão, o que é muito positivo – mas existem dificuldades de conectividade e de confiança do ponto de vista internacional, que vão sendo dirimidas com estas notícias da vacina, com esta notícia agora da ECDC de que se pode viajar porque isso não aumenta o risco de contágio, e por aí fora. O que nós dizemos é que é preciso continuar a manter as empresas com confiança para que possam dar resposta quando começarmos a retomar a velocidade que tínhamos em 2019.

«TODOS OS ATIVOS QUE NOS DISTINGUEM E NOS DISTINGUIRAM NESTES ÚLTIMOS ANOS CONTINUAM CÁ. NÓS CONTINUAMOS A SER O 12ª DESTINO TURÍSTICO MAIS COMPETITIVO DO MUNDO»

Os empresários queixam-se de que precisam de mais ajuda…

No Turismo de Portugal temos tentado dar resposta àquilo que são as necessidades, não só dos turistas, mas principalmente das empresas. Obviamente que as questões financeiras são importantes, daí existirem as linhas que existem, mas a questão da formação é fundamental para esta resiliência de que vamos precisar mais do que nunca, porque temos de perceber que todos os países estão na mesma situação. Portanto, todos os países estão à procura de argumentos para competir contra outros destinos, e nós acreditamos que estes argumentos são os melhores. O facto de apostarmos na formação, na inovação, na tecnologia e principalmente na sustentabilidade é algo que para nós é fundamental para esta retoma nos próximos anos.

Mas inevitavelmente muitas empresas deverão falir. Como vamos estar em termos de capacidade de receção quando isto terminar?

Isso é difícil de prever. A nossa competitividade é baseada muito nesta variedade de empresas. O facto de termos micro, pequenas e médias empresas espalhadas por todo o território nacional é importante para esta retoma. Daí as medidas que estão a ser tomadas e o nosso papel ser para permitir reforçar a sua competitividade e mantê-las à tona até retomarmos. Obviamente, isto continuando o trabalho que nós temos feito de tentar sensibilizar os mercados para o papel que Portugal tem feito. A comunicação aqui tem sido claríssima. Portugal hoje é considerado do ponto de vista de preparação para o futuro como um case-study e como um exemplo. Veja-se o caso do selo ‘Clean & Safe’, pois fomos o primeiro país europeu a receber o selo da WTTC de reconhecimento quanto à iniciativa e àquilo que está a ser feito. A preparação que as empresas estão a fazer de uma maneira muito responsável para receber qualquer turista, portanto, eu acho que temos estado a trabalhar em conjunto – públicos e privados – neste caminho. Agora, há fatores que não dependem de nós. E estes fatores que não dependem de nós são importantes também para este reforço de confiança final.

Desde setembro é presidente da European Travel Commission, tendo oportunidade de ser um agente ativo também na recuperação do turismo na Europa. Quais os seus planos?

Eu diria que aquilo que for bom a nível europeu é bom para Portugal. A ETC reúne os 33 organismos de turismo da União Europeia e há um grande consenso relativamente àquilo que é preciso, que é retomar a confiança através de uma coordenação entre países, uma maior cooperação entre público e privado e principalmente entre turismo e outras áreas que não estão dentro do setor, mas que são muito importantes, como seja a questão da saúde. A coordenação entre turismo e saúde é fundamental, a nível internacional e a nível nacional, e o foco naquele que é o nosso maior problema hoje, que é estimular a mobilidade e repor Schengen. A mobilidade entre países é algo que está a afetar o setor turístico em qualquer país e que é importante repormos. Estas são as prioridades da ETC. O que defendemos sempre é basearmos a tomada de decisões em dados que traduzem a mobilidade entre países. Nós temos que avaliar como é que as pessoas se movimentam e qual o grau de infeção e, em segundo lugar, termos o máximo de possibilidades de trazermos estas aplicações que existem em cada país e fazer com que haja uma interoperabilidade entre as diferentes aplicações, para recolhermos o máximo de dados e tomarmos as melhores decisões.

O turismo gera cerca de 10% do PIB da UE e é responsável por mais de 22 milhões de empregos. Temos de voltar a ter um turismo robusto para a recuperação económica de toda a União Europeia?

Sem dúvida. A previsão da WTTC é que só na Europa estão em risco 13 milhões de empregos. A importância do turismo como um todo, para a economia nacional, para todas as economias dentro da União Europeia e o impacto que tem nos outros setores são as três questões que para nós são importantes e que decorem desta situação, ou seja, nós com esta situação percebemos a importância que o setor do turismo tem para qualquer país, em qualquer economia e o efeito de arrasto que tem noutros setores.

Portugal vai assumir a Presidência do Conselho da União Europeia em janeiro de 2021. Que expectativas tem para a resolução desta questão?

Uma das dez prioridades que foi definida para a Presidência é precisamente a retoma de um setor turístico mais sustentável. Isto para nós é uma grande responsabilidade, mas é também o reflexo daquilo que Portugal tem feito no setor turístico, público e privado, do ponto de vista da inovação, da sustentabilidade, da aposta no digital, que pode ser um bom exemplo para o resto do mundo.

Com a vacina finalmente a chegar dentro de poucas semanas, que expectativas têm de retoma e de começarmos a voltar à normalidade?

Há aqui duas questões. A vacina é uma excelente notícia à qual se junta o relatório da ECDC, e isto é mesmo muito importante. Vai levar meses para as pessoas serem vacinadas enquanto que as conclusões deste relatório vão permitir não só gerar confiança, como vai permitir às autoridades que fazem a gestão de risco de transmissão tomarem decisões com base nesta avaliação. E isto é importante porque vai gerar mobilidade entre países. O que é preciso também é não esquecermos que este tipo de questões passou a estar no nosso dia-a-dia, portanto, nós vamos ter de estabelecer protocolos e procedimentos que nos permitam ter uma viagem segura e sem impedimentos entre os países. E este tipo de procedimentos e protocolos tem de ser pensado entre todos, porque daqui a dois ou dez anos temos outra situação igual e precisamos de estar preparados. Eu acho que temos mesmo de ponderar como é que conseguiremos ter uma experiência fácil e segura no futuro. Dito isto, quando vamos retomar? Aqui entramos com outras variáveis, nomeadamente a capacidade aérea, a saúde financeira e capacidade de retomar as ligações aéreas, que é algo em que estamos a apostar muito proactivamente, e outras variantes que não podemos prever. O que é certo é que em conjunto estamos a tentar que haja uma recuperação o mais rápido possível.

Como é que esta pandemia veio alterar o turismo a nível mundial?

As tendências que nós vimos é de mais viagens domésticas, mais viagens de carro, a procura por destinos alternativos, até mesmo dentro de Portugal. Os dados que temos é de maior procura por regiões menos conhecidas. Uma coisa que se está a ver muito agora também é o chamado ‘turismo de vingança’, ou seja, já que as pessoas foram obrigadas a parar agora vão começar a viajar.

Eu acho que há três questões que são importantes para nós. Primeiro, percebermos que de facto existem novas necessidades e como é que se responde a essas novas necessidades. A questão da segurança, sermos um país com uma ótima rede rodoviária e por aí fora é algo em que nos vamos focar muito. A resposta às diferentes preocupações sanitárias e de saúde dos turistas é algo em que também nos vamos focar. Aliás, o selo ‘Clean & Safe’ vai ter uma versão 2.0 com alguns upgrades precisamente para isso. E finalmente o pensarmos um bocadinho de forma mais abrangente do que exclusivamente na questão turística. E aqui a saúde é importantíssima. Portanto, de que maneira conseguimos dar melhores condições às pessoas para se protegerem também em Portugal é algo a que vamos dar muita atenção.

Falemos agora de sustentabilidade e dos planos futuros. No plano nacional, a Estratégia Turismo 2027 quer posicionar Portugal como um dos destinos turísticos mais competitivos e sustentáveis do mundo. Como estamos em termos de oferta sustentável e quais os maiores desafios para o país?

Quando lançámos a Estratégia, que esteve em consulta pública quase um ano e foi aprovada no início de 2017, colocámos a sustentabilidade no centro da estratégia com métricas muito definidas para cada um dos pilares da sustentabilidade, não só do ponto de vista económico – queríamos crescer e continuamos a querer crescer em número de turistas e principalmente em número de receitas, e queremos alcançar os 26 mil milhões de euros anuais decorrentes do setor – mas também nas componentes ambiental e social.

Na componente social tínhamos metas muito claras: 90% de satisfação nos centros históricos, 60% de formados com ensino secundário ou técnico-profissional e reduzir a taxa de sazonalidade para o menor número que alguma vez tivemos, que é 34,5%. Em 2019 estávamos em 36,5%. Do ponto de vista ambiental, 90% das empresas com medidas de gestão eficiente de água, energia e resíduos. Isto continuam a ser metas para 2027. O que nós sentimos ao longo deste ano é que havia necessidade de acelerar e reforçar esta aposta na questão da sustentabilidade. Não só pela questão das novas necessidades dos turistas, mas também porque acreditamos que considerando a evolução que estamos a verificar decidimos lançar um plano para os próximos três anos, até 2023, com este enfoque exclusivamente.

Para um turismo mais sustentável?

Eu diria um turismo mais sustentável, mais preocupado com as pessoas, um turismo com um foco maior no planeta. Se nos queremos um planeta melhor, temos de ter um turismo também melhor. É algo que nós já vínhamos a fazer. A questão de estarmos a promover o país como um todo, de promovermos produtos e segmentos como o enoturismo, o cycling e o walking, os caminhos de Fátima, enfim, as redes colaborativas que existem em Portugal permitem que venham turistas para todo o território e ao longo de todo o ano. E isto para nos é que é importante. A sustentabilidade é não só na componente da promoção e é claramente muito mais do que uma parangona de marketing, mas tem de ser estrutural. É uma decisão estrutural do setor turístico nacional. E temos muitíssimos exemplos de produtos e de serviços que estão a ser prestados a nível nacional de altíssima qualidade com esta preocupação, mas isto tem de ser transversal a todo o setor. Daí apostarmos neste plano Turismo + Sustentável para 2020/23.

«A SUSTENTABILIDADE É UMA DECISÃO ESTRUTURAL DO SETOR TURÍSTICO NACIONAL»

Este plano Turismo + Sustentável 2023 tem metas como 50 000 profissionais com formação nas áreas da sustentabilidade; eliminação de plástico de uso único em 50% de empreendimentos turísticos. São só dois exemplos de várias metas. São viáveis de atingir em três anos?

Temos 2021, 2022 e 2023, é perfeitamente viável. Isto tem de ser ultrapassado, mas isto não depende só do Turismo de Portugal. Isto é uma discussão pública, o documento está em discussão e aceita qualquer sugestão de qualquer privado ou publico , ONG ou o que for até dia 26 de janeiro, no site do Turismo de Portugal e o objetivo é que estas metas sejam ultrapassadas, mas é perfeitamente viável. Agora, depende de todos e é muito mais uma questão de atitude e de decisão daquilo que queremos fazer do que propriamente de iniciativas ad hoc. Nós temos à volta de 70 iniciativas estruturadas em quatro eixos. Acreditamos que vamos reforçar estas iniciativas e muitas vão até surgir ao longo dos três anos. Se não houver um compromisso de todos – e eu acredito que há, porque já temos inúmeros contributos – dificilmente alcançaremos. O que nós acreditamos é que é positivo para o país e principalmente vais-nos tornar muito mais competitivos face à concorrência.

E como é que se consegue conjugar turismo e sustentabilidade, uma vez que o setor é gerador de poluição. Falo não só nas viagens de avião, mas também na produção de resíduos, etc.. Como se consegue alcançar o equilíbrio?

Há um grupo de trabalho que está a avaliar precisamente isso. A IATA – Associação Internacional de Transportes Aéreos e as companhias aéreas estão a trabalhar nesse sentido. Existe um trabalho exaustivo para compensar essas questões. Aquilo que nós dizemos é que isto tem de ser visto como um todo e não podemos ver só o lado das emissões que o setor do turismo traz e esquecer o lado positivo do emprego, da reabilitação do património, de gestão das cidades, de proteção até da natureza. As praias têm de ser protegidas com a capacidade que têm de ser visitadas, o mesmo para os parques naturais. E é este equilíbrio que é preciso. E nos acreditamos que este equilibro acontece com vários eixos: em primeiro lugar, estruturar uma oferta mais sustentável – há inúmeras medidas como sensibilizar os empreendimentos e a revisão da portaria de classificação de empreendimentos turísticos. Se calhar hoje é mais importante decidirmos que um hotel de cinco estrelas só é cinco estrelas se toma medidas de gestão eficiente de energia, água e resíduos do que ter chinelos no quarto. E é esta sensibilização que é importante. Em segundo lugar, a qualificação dos agentes do setor. Agora lançámos o programa Upgrade com módulos específicos sobre sustentabilidade totalmente gratuitos para o setor. Já formámos 64 mil pessoas e muitos destes cursos que fizemos nos últimos meses são com foco na sustentabilidade. Em terceiro lugar, a promoção de Portugal como destino sustentável. E isto tem muito a ver com comunicação, que o Turismo de Portugal através das suas delegações internacionais vai fazer, mas também com o captar eventos com este foco na sustentabilidade. O Évora Forum, que vai ser em maio de 2021, o GLEX, que é o Global Exploration Summit, o Planetiers, que já teve a primeira edição este ano e vai ter a segunda ano próximo ano, portanto, há um conjunto de iniciativas que nos permitem também afirmar Portugal e aquilo que Portugal está a fazer nesta área. E um quarto eixo que tem a ver com monitorizar estas métricas de sustentabilidade no setor.

Portanto, é encontrar o equilíbrio?

É encontrar o equilíbrio, mas eu diria que é muito uma questão de atitude. É assumirmos todos que esta questão da sustentabilidade para a competitividade de um destino é importantíssima. E no Turismo de Portugal vamos assumir como prioritária em qualquer das nossas atividades e com um outro foco muito associado à sustentabilidade que é o digital e a tecnologia. A tecnologia pode ser o melhor amigo da sustentabilidade e nós queremos juntar estas duas frentes.

Quem não fizer a transição verde e a transição digital não vai conseguir sobreviver no turismo do futuro?

Eu diria que quem não fizer a transição verde e social, quem não tiver esta preocupação, claramente vai perder competitividade frente não só aos seus concorrentes internos, mas principalmente frente aos concorrentes externos.

Ainda no campo da sustentabilidade, é suposto as empresas eliminarem os plásticos de uso único já em 2021. Isso vai acontecer ou a pandemia deixou tudo em suspenso?

Tem de acontecer. E não é só por uma questão de exigência, é por uma questão de preparação. É uma questão de proteção do planeta, mas é também uma questão de reposta às necessidades dos clientes. E se há uma coisa que esta pandemia nos ensinou é que temos de ter o foco no cliente.

E como é o cliente, o turista do futuro?

Eu diria que é um turista com diferentes preocupações. A questão da pandemia é algo que não vai passar tão depressa e deixou marcas profundas em todos nós. Esta preocupação com o ambiente é fundamental e vai ser cada vez mais presente. É por isso um turista que vai valorizar destinos que tenham as mesmas preocupações que eles têm e, finalmente, é um turista que vai privilegiar experiências autênticas, coisa que um destino como Portugal pode garantir e assegurar e que tem feito até agora de maneira exemplar. Portanto, acho que temos tudo para recuperar rapidamente o nosso posicionamento e a importância do setor turístico a nível nacional.

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