João Marques e Lisboa Pastry & Bakery… em Budapeste

por LMn

João apesar da sua juventude já tem uma interessante experiência de viver estudar e trabalhar no estrangeiro. Em que países esteve antes de chegar à Hungria?

Aos 15 anos fiz a minha primeira viagem sozinho para Paris, desde aí ganhei uma enorme paixão por viajar que muita gente que está a ler agora me vai entender com certeza. Paris, Londres, Madrid, Barcelona, Boston, New York, Zhuhai (China), Macau, Viena, Amesterdão, estas foram as cidades onde me desloquei por questões de trabalho ou estudos.

Porque veio e que fez nos primeiros tempos em Budapeste?

Eu vim para Budapeste em Erasmus, com a ideia de terminar as poucas cadeiras que me faltavam (Licenciatura em Turismo). Depois de algumas semanas percebi, que queria trabalhar no meu ramo (Bar), enquanto estudava. Comecei a enviar o meu CV para todos os sítios em Budapeste tentando encontrar algo. A minha tática foi a seguinte, eu enviei emails para os melhores locais dizendo que eu trabalharia uma semana no estabelecimento de borla e se gostassem, após essa semana eles contratavam-me. Assim foi, após 2 semanas, estava empregado no bar, no dono que me abriu as portas para um futuro risonho em Budapeste.

 Ouvimos dizer que tinha um blogue. Fale-nos um pouco dele

Sempre tentei juntar o ”útil ao agradável” por isso viajava com o intuito de aprender sempre mais do que me era solicitado pelo próprio país ou cidade. os 16 anos ganhei interesse pelo mundo do bar e todas as bebidas por detrás do mesmo e então decidi viajar e estudar os destilados e a cultura de bar de cada país. Na minha viagem para os Estados Unidos decidi abrir um Blog sobre Bar. O Tips & Tricks Cocktails era um blog que falava sobre a minha passagem por todos os bares que visitei mostrando o bar, a sua carta e a sua cultura. Por todos as cidades, países que passei, trabalhava uma noite nos bares selecionados por mim e reportava os mesmos no meu blog. Dediquei-me muito a este blog e nunca tive um retorno direto financeiro com ele, mas mais tarde tive um grande retorno indireto com o mesmo. Quando cheguei a Budapeste e comecei a visitar os melhores bares da cidade, muitos deles já o conheciam devido ao meu blog e mostraram-se interessados em participar no mesmo.

Como se sente em Budapeste?

Budapeste é das cidades mais lindas que eu já vi e vivi. Tem excelentes oportunidades profissionais e fica no centro da Europa, por isso não posso dizer que me sinta mal. Como todas as cidades tem os seus pontos menos positivos, e Budapeste tem os seus. Numa forma geral, sinto-me bem aqui e Budapeste é a minha casa e espero que seja por muito mais tempo.

Porque ficou por cá?

Budapeste é uma cidade incrível com dois milhões de habitantes e onde existe uma baixa oferta de produto na área da restauração. Por isso decidi junto com os meus sócios abrir o primeiro conceito 100% português na área da restauração. Esse foi o meu motivo principal para começar a viver em Budapeste.

Claro que existe sempre um romance em todas as histórias, mas talvez numa futura entrevista falarei sobre o mesmo.

Quais foi/foram os projetos que o levaram a decidir ficar, prolongar a sua permanência?

O meu projeto inicial antes do Lisboa Pastry &. Bakery, foi abrir uma empresa de marketing digital. Esse foi o meu primeiro projeto como sócio fundador, empresa que ainda hoje funciona e muito bem. Foi um projeto que deixei recentemente, mas vejo nele um futuro risonho. Depois surgiu a abertura do Lisboa Pastry & Bakery. O Lisboa foi um sucesso desde o dia 1, e portanto nós decidimos expandir dia após dia, abrindo então uma fábrica de produção e o nosso conceito de revenda. Este ano era suposto abrirmos mais duas lisboas com os meus sócios, mas devido à pandemia decidimos pausar os projetos futuros.

Fala-nos como surgiu o Lisboa?

Desde o primeiro dia que me foi sugerido abrir um conceito em Budapeste, eu sempre imaginei algo português. Não sabia bem o que seria, mas tinha que ser português. Levei o meu sócio (Daniel) a Portugal para lhe mostrar o que de bom tem o nosso belo pais, ele ficou encantado porque a cada 200 metros existem padarias e pastelarias onde sempre tem muito movimento. Depois de lhe apresentar a famosa bica e o pastel de nata foi cheque mate para iniciarmos o conceito Lisboa.

Como correu a experiência do Lisboa até ao início da pandemia?

 O Lisboa era e é um dos lugares mais badalados de Budapeste. Toda a gente queria ir ao Lisboa, sem exceção, abrimos num dos lugares mais turísticos da cidade e mesmo assim teríamos mais locais do que turistas. Fomos número 1 em todas as plataformas sociais. Todos os meses saiam artigos de excelentes empresas sobre o Lisboa. Tínhamos reconhecimento do nosso público, dos media, e das organizações ligadas à restauração em Budapeste. Com a pandemia as coisas mudaram, infelizmente para todos os colegas na profissão. O Lisboa continua aberto e com o mesmo movimento, mas com um poder de compra muito inferior.

Recordo que apareciam muito bem colocados nos rankings diversos… E o futuro? É para continuar? Mais Lisboa e novos projetos?

O Lisboa foi e ainda é dos melhores no ranking em Budapeste, Tripadvisor, Wolt, Facebook, etc ..

O futuro ainda é incerto, acho que não só para mim, mas para vários na mesma área. O nosso objetivo é expandir o Lisboa, claro mas dentro das circunstâncias de hoje, não podemos confirmar nada. Um futuro sem Covid e com apoio das autoridades húngaras,  iremos ver vários Lisboas espalhados pela cidade de Budapeste.

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