Kosztolányi Dezső (1885 – 1936) – Escritor e Poeta Húngaro (Parte II)

por Pál Ferenc

A poesia de Kosztolányi se aprofundou na década de 1930 e ele amadurecendo tornou-se um clássico. Nos seus maiores poemas aparecem os motivos da crescente consciência da crueldade da vida, do medo do desaparecimento, da proximidade da morte, mas ao mesmo tempo ele escreve sobre a beleza da vida, o louvor da dignidade humana. Os poemas realmente excelentes elevaram-no  às alturas de Ady e Babits.

QUEM MORREU HOJE
Aki ma meghalt

Quem morreu hoje,
há somente uma hora,
é para mim tão antigo
como Alexandre Magno ou os soldados de Xerxes.
No seu ouvido, há silêncio,
na boca, pó e mudez.
Se, em quartos antigos, o lembram
velhos amigos,
eu, cabeça pesada, de chumbo, tento
trazê-lo à memória.
Mas, estranho, já não compreendo.
Meu espanto é fingido.
Cubro-o com a enorme, enorme
bandeira do esquecimento,
com rasgada indiferença, com silêncio,
pois nunca mais nos veremos,
e está longe,
como Alexandre Magno ou os soldados de Xerxes.
1927

ALMOÇO DE OUTONO
Őszi reggeli

Isto trouxe o Outono. Fruta fresca
numa travessa de vidro. Uvas grandes,
de um esmeralda denso, poderosas peras, em reflexos de jaspe,
todas as suas jóias ricas e sumptuosas.
Gota de água desliza de um jarro largo
e rola como brilhante.
Luxo é isso, indiferente, sereno,
perfeição rodando sobre si mesma.
Seria melhor viver. Mas, ao longe, acenam-me já
as árvores em suas mãos de ouro.
1929

QUANDO QUARENTA. . .
Ha negyvenéves. . .

Quando quarenta fizeres, uma noite,
acordas, de súbito, e assim ficas muito tempo
sem conseguir dormir. Olhas para o teu quarto
na escuridão. Docemente, devaneias
com isto e aquilo. Olhos abertos, tu jazes,
como estarás no caixão. Há viragem,
quando tua vida tomar novo rumo.
Maravilhas-te de ter vivido entre
a terra e as estrelas. Ocorrem-te coisas de nada.
Dás-lhes voltas. Cansas-te, deixa-las cair.
Sentes, às vezes, ruídos lá fora.
Conheces bem cada um desses ruídos.
Nem sequer estás triste. Só lúcido e atento.
Quase calmo. Então, suspiras.
Viras-te para a parede. Adormeces de novo.
1929

Traduções de Ernesto Rodrigues

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