József Attila (1905-1937) – Poeta Húngaro I.

por Pál Ferenc

É um dos poetas húngaros mais famosos do século 20. Não foi devidamente reconhecido durante a sua vida, mas  foi festejado durante a era comunista dos anos 1950, como o grande “poeta proletário” da Hungria e tornou-se o mais conhecido dos poetas húngaros modernos internacionalmente.

MORTE DE OPERÁRIO
Munkáshalál

A máquina colheu-o. Longe, sangue jorra;
branco, deu com a cabeça no chão.
(Tem lugar entre os bichos desde então.)
É posto nas frescas pedras do pátio, fora.

Fez-se eterna a noite na mão trabalhadora.
Rosto baço, triste, o olhou com inveja;
inda nas suas mãos a luta ardeja:
o pão muita boca de criança implora.

Pára um minuto do labor ruído,
de um homem voa choroso gemido,
medo e fome acordam dois pobres.

Qual se nada fosse, tudo recobra,
e a máquina de novo, trepidante:
na terra inda fica gente bastante.

POEMA SIMPLES
Egyszerű vers

Quando, à nossa volta, já tudo escurece, e lilás se rasga o céu, então
gostaria de ver teus olhos.
Quando te olho, só vejo teus olhos, e gostaria de beijar tuas mãos,
com audácia.
Gostaria de beijar-te, e quando estou ao Teu lado, sei que não
beijarei tuas mãos.

BÊBEDO NA LINHA
Részeg a síneken

Um homem bêbedo está deitado na linha,
tem segura a cabeça com sua mão esquerda,
e ronca. Dorme no fresco da madrugada.
A Noite galopa agora pela vereda.

Seu cabelo revolto ornou já com muito
lixo de ervas ruins o meigo vento nocturno;
ora espalha o céu sobre ele orvalho divino
e não se mexe, só ofega, pois que vive.

Duro como a travessa, seu punho direito
dorme qual no seio quente da velha mãe.
Roupa desfeita. Jovem, ainda; rapaz.

O Sol nem sobe, o céu virou cor de cinza.
Um homem bêbedo está deitado na linha
e, ao longe, lentamente, a terra ribomba.

NÃO SOU EU QUE GRITO
Nem én kiáltok

Não sou eu que grito, é a terra que troa.
Cuidado, cuidado, que Satã enlouqueceu;
encolhe-te nos fundos claros das fontes,
cola-te aos vidros,
oculta-te atrás do brilho dos diamantes,
sob pedras, entre os insectos,
tu, coitado, coitado.
Com frescos aguaceiros na terra penetra –
em vão te banhas em ti,
só no outro podes teu rosto lavar.
Sê o fio breve de uma erva
e serás maior que o eixo do mundo.
Oh, máquinas, aves, folhas, estrelas!
Nossa mãe estéril implora um filho.
Amigo, caríssimo, meu querido amigo,
seja terrível, ou maravilhoso,
não sou eu que grito, é a terra que troa.

Traduções de Ernesto Rodrigues

 

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