Jóias em filigrana portuguesa

por Dina Cardoso

A filigrana portuguesa representa maioritariamente a natureza, a religião e o amor:

  • o mar é representado com peixes, conchas, ondas e barcos;
  • a natureza é a inspiração das flores, dos trevos e das grinaldas;
  • com motivos religiosos, encontramos as cruzes, como a cruz de Malta, e os relicários. Mais recentemente, as medalhas com santos, anjos e figuras religiosas;
  • o amor, claro, é a inspiração de todos os corações em filigrana.

Outros símbolos icónicos da nossa filigrana têm uma origem histórica ou não totalmente clara. Falamos de:

Coração de Viana

Ao contrário do que se poderia pensar, o propósito primeiro do Coração de Viana não foi ser um símbolo de amor, mas sim um símbolo de dedicação e de culto do Sagrado Coração de Jesus. Terá sido a rainha D. Maria I que, grata pela “bênção” de lhe ter sido concedido um filho varão, mandou executar um coração em ouro. .

Com o passar do tempo, o coração acabou por começar a ser relacionado com o “amor profano”, símbolo da ligação entre dois seres humanos. Tornou-se tão popular que as cornucópias e as linhas do Coração de Viana começaram a ser reproduzidas em lenços e bordadas em todo o tipo de tecidos. Eventualmente, isto trouxe ao Coração de Viana o reconhecimento e a popularidade que se mantém até aos dias de hoje.

Brincos Rainha

É quase unânime que os brincos rainha apareceram em Portugal durante o reinado da Rainha D. Maria I (1734 – 1816). A origem do nome, essa, parece remontar ao reinado de D. Maria II (1819 – 1853), que usou um par destes brincos numa visita a Viana do Castelo em 1852. Depois desta visita, popularizaram-se como símbolo de riqueza e de status e ganharam o nome “brincos rainha”. Noutras zonas do Minho, é ainda conhecido como “à moda da rainha”, “de mulher fidalga” ou “mulher rica”.

Mas o que é realmente curioso são os desenhos dos brincos rainha. Afirma-se que serão um símbolo da fertilidade feminina, uma vez que há uma parte redonda, com um círculo mais pequeno ligado à peça principal de forma aparentemente ténue: um símbolo da ligação do filho ao ventre da mãe, do qual se irá libertar. Os adeptos desta teoria referem ainda que a parte inferior do brinco é um triângulo invertido, um símbolo feminino já à época.

Arrecadas

As arrecadas começaram por ser os brincos da população mais humilde e que as classes mais privilegiadas começaram a imitar. Na sua origem estavam as arrecadas Castrejas, com inspiração no quarto crescente da lua.

Colares de Contas

Os colares de contas são tão antigos quanto a arte da ourivesaria. Mas os colares de contas a que nos referimos são os colares com contas de Viana. As contas de Viana descendem das contas gregas: são ocas por dentro, o que as torna leves, e perfeitamente esféricas. Distinguem-se, no entanto, pelo fio em filigrana e por um pequeno ponto ao centro.

Surgiram pela dificuldade em comprar um colar inteiro em filigrana: as mulheres iam comprando conta a conta até conseguir fazer um fio inteiro. Também existia a vantagem de alterar o fio e deixá-lo do comprimento pretendido.

 

Fonte: https://www.filigranaportuguesa.pt/

Créditos de imagens: https://e-joias.pt/blog/joias-em-filigrana-portuguesa/

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