15 de setembro de 1856. Nesse dia nasceu Jenő Hubay. Quem foi?

por LMn

Perguntámos ao seu neto, László Hubay.

Jenő Hubay, compositor, violinista e pedagogo, foi director da Academia de Música Ferenc Liszt de Budapeste e responsável pela implantação da Escola de Violino, mas devido à forte oposição que fez ao regime comunista no curto período do Terror Vermelho, em que Béla Kun, esteve no poder, de Março a Agosto de 1919, ele e a família mudaram-se para Berna, Suíça e daí organizou a oposição que foi a principal razão para o Partido Comunista ter banido o seu nome e obra da Hungria, durante os mais de 40 anos, desde que tomaram o poder em 1945 até ao fim do regime em 1989.

O meu avô tinha um grande amor à Nação, muito maior que todos os seus êxitos pessoais, por isso  quando lhe pediram para voltar à Hungria para reconstruir a Academia de Música do estado miserável que os bolcheviques a tinham deixado, ele imediatamente regressou ao seu país e reconstruiu a Academia, tornando-a mundialmente conhecida.

Tenho em meu poder uma carta que o meu avô escreveu aos seus dois filhos dois meses antes de morrer, da qual tirei um excerto que define muito bem quem ele era, o seu carácter e valores – aqui vai em Húngaro e a respectiva tradução em Inglês:

“Egész életemen át mindig azt az alapelvet követtem és vallottam: minden ember a maga hatáskörében teljesítse kötelességét lelkiismeretének sugallata szerint. Ha ennek megfelel, akkor hazája és embertársai iránt is teljesítette kötelességét. A Haza szent fogalom, mely egy nemzet népességének összetartozását, érdekközösségét jelenti. Minél értékesebb és hasznosabb munkát végeznek fiai, annál magasabb színvonalra emelkedik az egész nemzet.

Én magyar hazámat mindig teljes odaadással szerettem és lépteimet a honszeretet irányította. Küzdelmeim alatt fájdalom annyi önzést, irigységet, rosszindulatot és a haza érdekeit eláruló ténykedést láttam, hogy sokszor az undort, melyet ez lelkemben előidézett, alig tudtam legyőzni. Sokszor azon a ponton voltam, hogy elhagyom hazámat s valahol külföldön vergődünk tovább, ahol az emberek hitványságai hidegen hagytak volna. Számtalanszor hívtak külföldre – mehettünk volna. De mikor magukra esett tekintetem, leküzdtem keserűségemet s itt folytattam rendkívül küzdelmes életemet.”

 

“All my life I followed and professed this principle: each individual in his or her own domain should fulfil his or her duties inspired by his or her conscience.

If one lives up to this, one fulfils one’s duty towards one’s homeland and fellow human beings. Homeland is a sacred notion, which refers to the bonds and common interests among the people of a nation. The worthier and the more useful the work that the sons of a nation do, the higher will be the level that the nation achieves.

I always loved my Hungarian homeland wholeheartedly and this has guided my steps. During my struggles, I could hardly overcome my disgust when I saw so much selfishness, envy, ill will, and actions betraying the interests of the nation. Often, I was on the brink of leaving my country to continue struggling somewhere abroad, where the vileness of men would leave me cold. I have been invited abroad countless times – we could have gone. However, when I looked at you, I overcame my bitterness and continued my life filled with struggles. You comforted me for everything. When you were riding on my knees, new hopes would rise in my heart.”

Estamos a falar da sua data de nascimento mas gostaria de referir que teve uma morte* santa: estava numa recepção oficial na Câmara Municipal de Budapeste, como orador principal e quando chegou a sua vez de discursar pediu desculpa e disse que iria falar sentado porque sentia-se cansado. Quando começou a falar disse: “dediquei a minha vida inteira à música/arte Húngara, promovendo-a a nível mundial….” e ao dizer isto baixou a cabeça e ouviu-se um silêncio. Todos pensavam que estava a olhar para as suas notas, até que realizaram que tinha morrido. Depois da sua morte houve um funeral de Estado, com três dias de luto nacional.

Sinto-me sempre muito comovido quando falo sobre o meu avô, que infelizmente não cheguei a conhecer. Muita comoção, muito orgulho e muita honra. Obrigado por se terem lembrado e me terem perguntado.

László Hubay-Cebrian, Estoril, 15 de Setembro de 2020

 

*12 de março de 1937

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Jenő Hubay (15 de setembro de  1858  – 12 de março de 1937) foi um violinistacompositor e professor de música húngaro. É compositor de vários concertos e óperas e solista foi admirado por Henri Vieuxtemps e Johannes Brahms. Jenö Hubay foi opositor do regime comunista no curto período durante o qual o protagonista do Terror Vermelho, Béla Kun, esteve no poder em 1919. Nessa altura Jenö partiu, com toda a família, para a Suíça, e daí organizou a oposição contra o tirano. Após a queda do regime de Béla Kun, regressou à Hungria para reconstruir a Academia de Música, a qual tornou mundialmente conhecida. A sua forte oposição ao regime comunista foi a razão pela qual o Partido Comunista, após a sua tomada do poder em 1945, baniu o seu nome, música e ensinamentos, na Hungria, durante 50 anos. Em 2018 Jenö foi declarado “grande húngaro”

 

Nota da redação: Este artigo não foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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