Janus Pannonius (1434-1472)

por Pál Ferenc

Janus Pannonius (em húngaro János Csezmiczei ou János Cesinge), bispo de Pécs desde 1459 até a sua morte, é um poeta e humanista húngaro. Viveu na época do rei Matias e escreveu em latim. Nascido na Croácia, estudou em Nagyvárad onde o irmão da sua mãe, János Vitéz, foi o bispo.

Janus Pannonius foi figura de relevo no final do século, nos seus epigramas se critica a superstição, o ascetismo, a cupidez dos padres e o próprio Papa, sem esquecer esboçada arte poética ou tiradas obscenas à Marcial. É de ressaltar o seu sentimento e saudade pela sua pátria mais íntima onde nasceu e foi formado.

Poemas de Janus Pannonius traduzidos por Ernesto Rodrigues

SOBRE A MUDANÇA DE NOME
De immutatione sui nominis
Meu nome era Joannes, Janus quem esta página escreve:
não digas, leitor amigo, que não te avisei.
Não desprezei por orgulho tão nobre nome,
que nenhum ressoa mais claro sobre a terra.
Fez-me, contra vontade, mudar as letras
a loura Tália, quando me banhou no lago Aónio.

DA ARTE
De arte
A arte deu-me vigor; atinge-se a perfeição das coisas,
quando a força no engenho se apoia.

ELOGIO DA PANÓNIA
Laus Pannoniae
O que se lia era outrora produzido em Itália,
hoje lêem-se versos saídos da Panónia.
Grande glória é para mim, maior para ti,
pátria, por meu engenho feita nobre.

SOBRE A ESLAVÓNIA
De Sclavinia
A parte da Panónia que agora se chama Eslavónia
tem muitas aldeias e raras cidades.

JANUS PANNONIUS À HORA DA MORTE
Janus Pannonius moriens
Um dia funesto matou com o corpo o nome;
pobres de nós que acumulamos riquezas.

PARTINDO, DIZ ADEUS AOS SANTOS REIS DE VÁRAD
Abiens valere iubet sanctos reges, Waradini
Agora que sob a neve se esconde
a terra, e do bosque a folhagem
cede ao branco soberbo de Inverno,
temos de largar o belo Chrisius,
e longe voar, té ao ístrio senhor.
Já, companheiros, devoremos a estrada.
Rios ou pântanos não nos detêm,
todos os fossos se cobrem de gelo.
Onde, antes, ia navio tímido, agora, audaz, com pé insolente,
salta camponês sobre as ondas rígidas.
Já, companheiros, devoremos a estrada.
Nunca tão brandamente foi batel
alado bebido pelo abismo,
quando sopro de zéfiro, roçando
leve, líquida planície encrespava:
assim cavalos breves puxam trenó-ave.
Já, companheiros, devoremos a estrada.
Digo-vos, pois, adeus, cálidas fontes,
cujo sulfúreo cheiro não corrompe,
límpidas águas junto com alúmen
saudável aos olhos, à aparência,
sem nos causar ofensa ao nariz.
Já, companheiros, devoremos a estrada.
E tu, biblioteca, adeus, adeus,
com tantos livros ilustres dos antigos,
que Febo, de Pátara, conserva,
e amam, não mais que retiro de Castália
poetas divinos, as filhas de Mnémon.
Já, companheiros, devoremos a estrada.
Adeus, igualmente, reis ornados de ouro,
que fogo sacrílego não consumiu,
nem, furioso, fragor de ruínas tocou,
quando, chamas devoradoras pelos cimos,
o céu se escondeu em cinza escura.
Já, companheiros, devoremos a estrada.
E tu, que cavalgas flancos brilhantes,
na dextra ergues machado de guerra,
cujas colunas de mármore, esplêndidas,
vertem néctar transparente dos mortos,
sê nosso guia, ajuda nesta viagem.
Já, companheiros, devoremos a estrada.

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