Illyés Gyula (1902–1983)

por Pál Ferenc

Pensamos despedirmo-nos deste ano com um poema de Illyés Gyula que foi a figura mais importante na vida literária húngara do século XX,  além de Babits Mihály. Não foi por acaso que Babits o nomeou seu sucessor na revista Nyugat. Durante seus anos moços, em Paris, com seus poemas de vanguarda em francês, ele se tornou um autor de antologias de vanguarda. Suas conexões de esquerda e internacionais na capital francesa forneceram-lhe uma proteção modesta durante a ditadura comunista.  Nas últimas décadas de sua vida, ele trabalhou para criar a unidade espiritual e cultural dos húngaros na pátria e no exterior. Na devida altura ainda voltaremos a falar de sua poesia.

UM ESTRANHO CANIBAL
Különös kannibál

Este ano, que vivi até ao fim,
devorou-me! Ou só me levou consigo?
E para onde? Nosso rasto onde?
De mim que ficou? Era eu, no fundo?
Não me sondo.

Em cada noite, novas e novas
mudanças: em mim, sepultura.

Qual hóspede, em glorioso banquete
– que lindo pôr-do-Sol -,
sento-me educadamente
frente à casa, numa cadeira do jardim,
amigos cultos ao redor

aqui de novo, não é?,
na minha antropofagia diária.

Tradução de Ernesto Rodrigues

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