Hungria vetou declaração da UE porque “Israel tem direito a defender-se”

por LMn | Lusa

Budapeste, 19 mai 2021 (Lusa) – O Ministério dos Negócios Estrangeiros húngaro justificou hoje o seu veto à declaração comum da União Europeia (UE) que pedia um “cessar-fogo” entre Israel e o grupo islamita palestiniano Hamas considerando que “Israel tem direito a defender-se”.

“Israel foi atacado por uma organização terrorista. Israel tem direito a defender-se. Rejeitamos todas as posições que responsabilizam Israel pela atual situação”, assegurou Tamas Menczer, secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros, citado pela agência noticiosa MTI.

Segundo Menczer, o Governo húngaro, dirigido pelo ultranacionalista Viktor Orbán, rejeita que Israel seja equiparado ao Hamas e que “se legitime, de forma indireta, o grupo terrorista Hamas”.

“Há que deixar claro que os diversos grupos terroristas palestinianos devem terminar os ataques”, acrescentou o secretário de Estado, que considerou “desequilibrado” o texto rejeitado por Budapeste.

O chefe da diplomacia húngara, Péter Szijjártó, vetou na terça-feira uma declaração apoiada pelos restantes 26 Estados-membros da UE sobre o conflito e na qual se fazia um apelo a um “cessar-fogo”.

O alto representante para a política externa da União, Josep Borrell, convocou o encontro para tentar coordenar uma posição comum sobre a forma como a UE pode contribuir para a redução da escalada de violência, apesar de não ter sido obtido consenso após “um longo e intenso” debate por videoconferência, segundo referiu.

O Governo alemão criticou hoje o veto da Hungria, que impediu uma posição comum do bloco comunitário face à atual escalada de violência.

“O que é prioritário é o cessar fogo e que não haja mais mortos. Apenas a Hungria vê isto de outra maneira e vá lá saber-se porque será”, disse o ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Heiko Maas, em declarações à televisão pública alemã ARD.

Na terça-feira, em declarações à agência noticiosa AFP, à margem de uma visita a Paris, Péter Szijjártó indicou ter pedido à UE que favoreça o “pragmatismo” em vez das “lições morais”, e após Budapeste também ter usado recentemente o veto para bloquear uma declaração comum sobre a China.

PCR (JSD/PSP) // PMC

Lusa

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