Hungria: O campus da Universidade Fudan em Budapeste vai ser construído por uma empresa chinesa envolvida em escândalos de espionagem?

por LMn

O governo húngaro tem estado a trabalhar no aprofundamento das suas relações com o Oriente e, por conseguinte, tem  discutido e negociado diversos acordos com a China. Recentemente, o governo húngaro parece ter convidado uma das melhores universidades do mundo, a famosa Universidade Fudan, para construir um novo campus em Budapeste.

Assim, de acordo com o portal de notícias 444.hu, o governo de Orbán tem vindo a trabalhar em conjunto com a China em cada vez mais projectos, tais como a linha ferroviária Budapeste-Belgrado, que vale 700 mil milhões de HUF (2 mil milhões de euros), cujo concurso foi ganho por empresas estatais chinesas, juntamente com uma das empresas do famoso multimillonario Lőrinc Mészáros. Além disso, no ano passado, com a pandemia, o governo húngaro comprou muitos equipamentos de proteção e ventiladores à China, provavelmente a um preço elevado, e a Hungria foi também o primeiro país europeu a utilizar a vacina chinesa Sinopharm.

Originalmente, já em 2017, as conversas sobre a possível cooperação com a Universidade de Fudan foram iniciadas pelo presidente do Banco Nacional da Hungria,  durante o fórum financeiro sino-húngaro em Xangai. Agora, de acordo com notícias e documentos publicados pelo portal de notícias Direkt36, o Ministério da Inovação e Tecnologia húngaro apresentou um contrato no qual uma empresa de construção estreitamente relacionada com o governo chinês, a China State Construction Engineering Corporation (CSCEC), será a responsável pela construção do novo campus da Universidade Chinesa de Fudan em Budapeste

De acordo com 444.hu, existem várias “bandeiras vermelhas” sobre este investimento relativo ao processo de construção do campus da Universidade de Fudan. Uma dessas “bandeiras vermelhas”, ou melhor, uma preocupação é que os estatutos da Universidade de Fudan foram alterados em 2019, e os pontos relativos à liberdade de pensamento e investigação foram alterados para uma declaração de lealdade ao Partido Comunista Chinês. Isto pode colocar as opiniões comunistas e socialistas acima da transferência de conhecimentos, e existe o receio de que a instituição chinesa possa espiar os seus estudantes e professores.

Esta não é, no entanto, a única razão preocupante. Em 2017, a sede da União Africana na Etiópia reportou picos de dados suspeitos em horas invulgares, diz 444. Após verificar o edifício, as autoridades descobriram que todas as noites, os dados nos servidores etíopes eram copiados para outro servidor sediado em Xangai, e também descobriram dispositivos de gravação de voz em mesas e paredes dentro do edifício. Como é conhecido, o edifício foi um presente do governo chinês para África e foi construído pela mesma empresa que vai construir o Campus Universitário de Fudan, na Hungria.

Parece que o Ministério da Inovação e Tecnologia húngaro fez um contrato com a empresa de construção que não só não exigiu um concurso público como também declarou que o planeamento é uma colaboração húngaro-chinesa; no entanto, a implementação do referido projecto só pode ser cumprida pelos chineses, e tem de atingir um estatuto em que não possa ser cancelado, relata o Direkt36.

Para além de todos estes sinais e acordos suspeitos, o governo húngaro parece, de qualquer forma, ter levado o projeto por diante. A área de 520.000 metros quadrados foi originalmente atribuída para o projecto Budapest Diákváros e teria fornecido alojamento a 8-10.000 estudantes e professores universitários.

De acordo com o contrato, o CSCEC realiza os trabalhos de construção por apenas 338 mil milhões de HUF (cerca 1 mil milhão de euros), embora os cálculos húngaros fossem muito mais elevados, 540 biliões de HUF (1,48 mil milhões de euros). Trata-se de um investimento enorme por parte do governo húngaro uma vez que, segundo algumas fontes, excede o custo anual de funcionamento de todo o sistema de ensino superior da Hungria, que foi cerca de 486 mil milhões de HUF (1,33 mil milhões de euros) em 2019.

O governo húngaro fornece a parcela e um montante inicial de 100 mil milhões de HUF (274 milhões de euros), e o resto seria financiado por um empréstimo do governo chinês, escreveu o 444.hu, mas o CSCEC insiste que os recursos e o trabalho humano devem ser chineses ou importados da China, à semelhança da modernização ferroviária Budapeste-Belgrado.

Fonte: 444.hu, Direkt36.hu/Daily News Hungary

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