Hungria: Flashes sobre a guerra em curso na cultura

por LMn

Por Budapost Hungarian Press Review

Um comentador pró-governamental considera justificado que o governo tenha reclamado a soberania nacional do que ele chama o “Estado profundo pós-comunista”. Dois analistas liberais, por outro lado, acusam o governo de Orbán de desenraizar o regime democrático e de introduzir uma governação autoritária de extrema-direita.

Bálint Botond no diário Magyar Nemzet explica os “recentes sucessos económicos e demográficos” da Hungria como os resultados dos esforços do governo de Orbán para recuperar a soberania nacional do “Estado profundo” pós-comunista. O sociólogo pró-governamental acredita que após 1990, a economia da Hungria, bem como a sua vida cultural e as suas principais instituições (incluindo a educação, meios de comunicação social, tribunais e polícia) foram dominadas por pós-comunistas e liberais empenhados em servir interesses e ideologias estrangeiras, e que colocam os seus interesses privados acima do interesse nacional.

Botond chega ao ponto de afirmar que os antigos líderes comunistas, incluindo o Secretário Geral do Partido János Kádár e o czar da cultura György Aczél, eram mais patriotas do que as elites liberais de esquerda pós-1990. Botond considera justificado que o governo nacional democraticamente eleito tenha recuperado a soberania do estado profundo pós-comunista que, segundo Botond, impediu a Hungria de alcançar os seus objectivos nacionais.

Na revista Élet és Irodalom, Andor Gellért e György Zdeborsky (que serviu como vice-presidente do Banco Nacional antes da mudança de regime, e depois como CEO dos bancos comerciais) acusam o governo de desenraizar a democracia e de introduzir um governo autocrático de extrema-direita.

Os economistas liberais sugerem que desde 2010, a Fidesz reescreveu completamente o sistema jurídico e institucional da Hungria de acordo com as suas próprias visões ideológicas e interesses políticos. Até agora, o sistema constitucional húngaro não funciona como uma democracia, mas sim como um sistema “radical de extrema-direita nacionalista”, argumentam Gellért e Zdeborsky.

Consideram que as eleições parlamentares de 2022 não serão, portanto, uma batalha entre esquerda e direita, mas sim entre “democracia, por um lado, e autoritarismo radical, por outro”. Para inverter tais tendências, concluem, os partidos da oposição devem cooperar com as ONG, e propor uma nova constituição.

Budapost Hungarian Press Review

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