Hungria compra porto italiano para impulsionar comércio com a China

por LMn | Lusa

A Hungria comprou um porto de 32 hectares na Itália, perto de Trieste, por 31 milhões de euros, para facilitar o comércio marítimo com o leste, principalmente com a China, noticiou hoje o jornal digital Hvg.

O processo de aquisição já tinha sido iniciado em 2019, mas apenas foi concluído agora, permitindo que o porto fique ativo dentro de dois anos.

Na altura do início do processo, o ministro dos Negócios Estrangeiros húngaro, Péter Szijjaártó, disse que o valor da transação (31 milhões de euros) cobria a aquisição do terreno e a concessão da sua exploração por um período de 60 anos, estimando em 100 milhões de euros o custo da construção das infraestruturas necessárias para a sua operação.

O Governo húngaro prevê que o porto terá uma capacidade de movimentação de dois milhões de toneladas ou cerca de 78.000 contentores por ano.

Budapeste argumenta que a aquisição do porto facilitará a conexão da Hungria com o leste e, principalmente, com a nova rota da seda da China, que procura aumentar a presença económica de Pequim no mundo, já que Trieste é um dos pontos dessa rede em Itália.

Especialistas consultados pelo jornal Hvg questionam, contudo, a utilidade de um porto com uma capacidade considerada limitada, alegando que não encontram justificação para as empresas húngaras terem necessidade de um terminal de porto, propriedade do Estado, que não é adequado para grandes navios porta-contentores.

Os especialistas lembram ainda que a construção do porto será dificultada pela presença de artefactos da Segunda Guerra Mundial, já que esta faixa de terra foi alvo de inúmeros ataques aéreos.

Os ‘media’ italianos acrescentam que serão necessários procedimentos burocráticos de conservação do património, que adiarão o arranque das obras.

O governo do primeiro-ministro, Viktor Orbán, anunciou em 2020 que tenciona fazer vários investimentos que permitam uma abertura do país a leste, intensificando o comércio com a China e com a Rússia.

Exemplo desse esforço é a construção de novos reatores numa fábrica nuclear em Paks, que contou com um empréstimo russo de 12,5 mil milhões de euros, ou a criação de uma ligação ferroviária entre a Hungria e a Sérvia, que deverá ser construída com um empréstimo chinês de 1,7 mil milhões de euros.

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