Hilda Hilst (Brasil) – Dez chamamentos ao amigo

por Fernando Lopes

Se te pareço noturna e imperfeita
Olha-me de novo. Porque esta noite
Olhei-me a mim, como se tu me olhasses.
E era como se a água
Desejasse
Escapar de sua casa que é o rio
E deslizando apenas, nem tocar a margem.
Te olhei. E há tanto tempo
Entendo que sou terra. Há tanto tempo
Espero
Que o teu corpo de água mais fraterno
Se estenda sobre o meu. Pastor e nauta
Olha-me de novo. Com menos altivez.
E mais atento.

 

Hilda de Almeida Prado Hilst, mais conhecida como Hilda Hilst, (Jaú, 21 de abril de 1930 – Campinas, 4 de fevereiro de 2004).

Filha do fazendeiro de café e jornalista Apolônio de Almeida Prado Hilst, e da imigrante portuguesa Bedecilda Vaz Cardoso. Em 1932, após a separação dos pais, mudou-se com a mãe para a cidade de Santos. Foi aluna interna do Colégio Santa Marcelina e do Instituto Presbiteriano Mackenzie. Em 1948, ingressou na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo.

Em 1950, Hilda Hilst publicou o seu primeiro livro de poesias, intitulado “Presságio”. Em 1951 publicou “Balada de Alzira”. Nesse mesmo ano foi nomeada curadora de seu pai. Em 1952 concluiu o curso de Direito. A partir de 1954, passou a se dedicar exclusivamente à produção literária. Entre 1955 e 1962, publicou diversas obras de poesias, entre elas, “Balada do Festival” (1955) e “Ode Fragmentária” (1961).

Em 1965 mudou-se para Campinas, onde passou a morar na “Casa do Sol”, obra planeada pela escritora, próxima à fazenda de sua mãe, e que foi frequentada por diversos amigos. Em 1968, Hilda casou-se com Dante Casarini. Nesse mesmo ano escreveu as peças teatrais “O Visitante” e o “Novo Sistema”. Em 1970 se inicia na ficção, com o livro “Fluxo Floema”. Em 1982 escreveu “Senhora D”, que foi posteriormente adaptada para o teatro.

Em 1985 divorciou-se do marido. Em 1992 publicou “Bufólicas”, poesias satíricas.

Hilda Hilst era culta, de personalidade marcante e temperamento transgressor que ia de encontro aos costumes da época. Criadora de textos magníficos, leva o leitor a um mundo intrépido e de uma fascinante prospecção filosófica sobre o amor, a morte, o horror e a busca.

Apesar de não ser muito conhecida do grande público, Hilda Hilst foi uma das vozes literárias brasileiras mais importantes do século XX. Vencedora dos principais prêmios da literatura do país, a poetisa, cronista e dramaturga era admirada por grandes escritores do seu tempo.

Hilda Hilst recebeu diversos prêmios literários, entre eles, o Prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA), na categoria “Melhor Livro do Ano”, em 1977, por “Ficções”. A escritora faleceu em Campinas, no dia 04 de fevereiro de 2004.

 

Fonte: Pensador.com

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