Grupo Wagner está na região de Lipetsk, a 340 km de Moscovo

por LMn
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Moscovo, 24 jun 2023 (Lusa) – O governador da província de Lipetsk russa afirmou que o grupo paramilitar Wagner entrou na região, a 340 quilómetros de Moscovo.

As colunas do grupo paramilitar Wagner, que lançou uma rebelião armada contra a liderança militar russa, já estão na região de Lipetsk, informaram as autoridades locais.

“O equipamento (de guerra) do grupo Wagner está a avançar no território da região de Lipetsk”, disse o governador local, Igor Artamonov, no canal Telegram.

De acordo com o político, as autoridades locais “estão a tomar todas as medidas necessárias para garantir a segurança da população”.

O que é o Grupo Wagner?

Fonte: Origo.hu

Foi declarado um alerta nacional na Rússia após o vídeo ameaçador de Prigozhin, no qual este declara efetivamente um golpe militar, embora ele próprio insista que o que está a fazer é, de facto, uma “procissão da verdade”. O Grupo Wagner, oficialmente conhecido como Wagner PMC, descreve-se como uma empresa militar privada.

O Grupo Wagner foi identificado pela primeira vez em 2014 como estando a apoiar as forças separatistas pró-russas no leste da Ucrânia.

Soldados russos do Grupo Wagner celebram a captura de Bahmut (Foto: AFP/Telegram @concordgroup_official)

Na altura, tratava-se de uma organização clandestina que operava principalmente em África e no Médio Oriente, e acredita-se que tinha apenas cerca de 5.000 combatentes, na sua maioria veteranos dos regimentos de elite e das forças especiais russas. A organização começou a recrutar em grande número em 2022, depois de o Grupo Wagner ter também começado a combater na guerra na Ucrânia.

Desde então, os números do exército privado aumentaram significativamente, com Yevgeny Viktorovich Prigozhin, do Ministério da Defesa britânico e do Conselho de Segurança Nacional dos EUA, a relatar que cerca de 80% das tropas de Wagner na Ucrânia foram recrutadas a partir de antigos prisioneiros, salienta Origo.

Apesar da proibição oficial de manter exércitos privados na Rússia, Prigozhin foi autorizado a recrutar abertamente nas cidades russas, publicitando em outdoors o grupo Wagner, que descreveu nos meios de comunicação russos como uma organização patriótica.

Uma investigação da BBC sobre o grupo Wagner revelou que um antigo oficial do exército russo, Dmitry Utkin, terá estado envolvido na organização do exército privado. O veterano da guerra da Chechénia, que terá sido o primeiro comandante de campo de Wagner, deu ao grupo o nome de Wagner, em homenagem ao seu antigo indicativo de chamada de rádio.

As forças de Prigozhin, por exemplo, lutam na Síria ao lado das forças pró-governamentais desde 2015, guardando campos de petróleo. Na Líbia, há também soldados do Grupo Wagner a apoiar as forças leais ao general Khalifa Haftar.

Na República Centro-Africana, o grupo Wagner guarda minas de diamantes e, segundo a imprensa, também está presente no Sudão, onde garante a segurança das minas de ouro.

E no Mali, na África Ocidental, o governo está a utilizar o Grupo Wagner para combater grupos militantes islâmicos.

No entanto, o exército privado também tem cometido uma série de violações dos direitos humanos ao longo dos anos. Em janeiro, um antigo comandante pediu asilo na Noruega depois de ter desertado do grupo mercenário. O homem afirma ter testemunhado crimes de guerra na Ucrânia.

De acordo com os procuradores ucranianos, três mercenários do grupo Wagner, com a ajuda de forças regulares russas, mataram e torturaram civis perto de Kiev em abril de 2022.

De acordo com os serviços secretos alemães, os mercenários do grupo Wagner massacraram civis em Bucza, na Ucrânia, em março de 2022.

E a ONU e o governo francês acusam membros do grupo Wagner de raptar e violar civis na República Centro-Africana.

E, em 2020, os militares norte-americanos afirmam que eles colocaram minas e outros engenhos explosivos em Tripoli, capital da Líbia, e nos seus arredores.

 

Foto: NEXTA / Twitter

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